<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127</id><updated>2012-02-01T22:46:26.854-02:00</updated><title type='text'>MEUS PARALELOS</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-3271571962871612476</id><published>2009-10-10T16:27:00.001-03:00</published><updated>2009-10-10T16:28:43.150-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O pai chegou com as fotos do aniversário. Tinha usado dois rolos inteiros. A mesa com doces, salgados e o bolo artístico feito pela mãe estavam lá. Ela era leitora dessas revistas que ensinam coisas artísticas para fazer em casa. O pai estava desapontado. Eram coisas pequenas que o desapontavam. Entre elas, minha postura, minha apresentação, ou talvez minha falta de bons modos no momento em que a máquina era disparada e o filme queimado. E lá estavam as fotografias para documentar minha falta. Era o dia do meu aniversário e eu não tinha me comportado de forma conveniente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por algum motivo eu fazia careta para a máquina. Alguém se preparava para tomar a minha imagem e eu contraía os músculos da face. Um pequeno selvagem desafiando quem lhe interpelava. Risos de um lado e decepção de outro. Mas enfim chegou o dia no qual o pai, francamente ultrajado, resolveu tomar uma providência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dois rolos inteiros, quarenta e oito fotos ao todo e um estigma para cortar a carne. Ele selecionou a melhor de todas as caretas já feitas na história universal da fotografia de classe média. Dez meninos sentados à mesa, brigadeiros, croquetes, pequenos copos plásticos com gelatina colorida, canudos recheados com maionese de batata e o bolo artístico da minha mãe. Na cabeceira da mesa, de costas para o fotógrafo, um menino torce o pescoço, inclina a cabeça para trás, cria uma improvável pose na qual boca e olhos trocam de lugar e surpreende o pai que dispara o obturador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A imagem permaneceu enrolada com outras tantas até que o pai levou o filme para ser revelado. Um crime que até então aguardava em estado de latência. Foi esta imagem que ele separou e carregou na mão esquerda ao entrar em casa procurando por mim. A mão direita tinha o indicador apontado. Reclamou a via sacra inteira por conta daquela careta. Desprezível, eu não merecia aparecer em fotografias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É claro que eu já estava convencido da minha variada capacidade para fazer coisas erradas. Mesmo assim, de forma um pouco embaraçada, tentei usar o meu dedo da mão direita para indicar na fotografia que, por favor, perceba meu pai, eu estava sentado na outra ponta da mesa, sorrindo de forma discreta, feliz da vida com minha festa de aniversário. O menino da careta tinha cabelo parecido com o meu, mas era outra pessoa, não era eu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De onde eu tirei a idéia de apontar com o dedo? Que falta de tato. Sabia que o pai tinha razão. Embora aquela fotografia fugisse à regra, eu devia estar consciente de que sempre fiz caretas e de que sempre me comportei mal. Aquele pequeno engano, no qual alguém cumpriu aleatoriamente o papel que era meu, não deveria ser usado como peça de defesa. Afinal, não se tratava de mostrar quem eu era, mas o que eu era inclinado a fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que a fotografia congela um momento que nunca mais será repetido. Nela fica guardada uma imagem que morre para viver eternamente. Pois bem, não preciso fazer uma ginástica no campo da ontologia para dizer que isto é mentira. Este momento se repete todo dia quando me acordo e quando me deito. Repete-se agora, não mais como fotografia, mas como filme dentro da minha cabeça. É graças a ele que hoje eu encaro a máquina e o fotógrafo oferecendo minha imagem domada. Sinta orgulho, meu pai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-3271571962871612476?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/3271571962871612476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=3271571962871612476&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/3271571962871612476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/3271571962871612476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2009/10/o-pai-chegou-com-as-fotos-do.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-7002818454681820860</id><published>2009-02-14T09:09:00.001-02:00</published><updated>2009-02-14T09:11:52.215-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Em tom calmo, porém decidido, devemos negar; contra a guilhotina armada, mostrar o pescoço; contestar o rei – que anda obcecado com a aquisição de uma respeitabilidade imortal – e a sua corte – formada por um bando de patetas pretensiosos. Acima de tudo, devemos apagar do nosso horizonte o anseio de proximidade com esse arremedo de aristocracia. É fundamental rechaçar a canga que só cai em nossos ombros por conta do medo. Se for necessário, é claro, apenas em caso de efetiva necessidade, é nosso dever dar gargalhadas dos silogismos e circunlóquios reais – ele sabe o que fala, mas como é tosco! Uma última tarefa: vamos permanecer parados, desafiando o onipresente princípio obtuso de produtividade. Que relinchem os que querem fazer da vida uma corrida de cavalos – mais uma vez nos deparamos com a metáfora eqüina. Quanto a nós, convenhamos, o mundo nada pode contra quem sorri tranquilamente contra o desespero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-7002818454681820860?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/7002818454681820860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=7002818454681820860&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/7002818454681820860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/7002818454681820860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2009/02/em-tom-calmo-porem-decidido-devemos.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-5913814324963166133</id><published>2008-09-08T19:54:00.000-03:00</published><updated>2008-09-08T19:55:36.076-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Chegou ao escritório através de mensagem eletrônica. A urgência demandava o relaxamento dos procedimentos burocráticos. A grande comitiva de investigadores foi substituída pela dócil flexibilidade das ferramentas virtuais. Aberto o arquivo revelou-se a fotografia. Situação curiosa. Antes não era assim. Revelar não é mais a mesma coisa. Era uma palavra bonita. Mas isso não importa. Aberto o arquivo passou-se à análise das características marcantes. Quem identifica os traços potencialmente distintivos é o programa. Tem programa pra tudo. Estabelecidos os pontos fisionômicos de maior relevância a caçada teve início. A barra de rolamento deslizou verticalmente pelo banco de dados. Em poucos segundos localização e identidade do suspeito foram estabelecidas. Com um sorriso o agente punitivo recostou-se em sua cadeira. Restava apenas a velha tarefa de arquitetar um plano de captura e esperar pelo vacilo inevitável que acomete todas as presas. Esse mundo não perdoa boêmios. É preciso conscientizar o desviante a respeito da natureza mercantil de sua força de trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-5913814324963166133?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/5913814324963166133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=5913814324963166133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/5913814324963166133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/5913814324963166133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2008/09/chegou-ao-escritrio-atravs-de-mensagem.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-2513409189957474159</id><published>2008-08-29T14:27:00.006-03:00</published><updated>2008-08-29T14:35:11.775-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Tenho comigo uma mortífera dose de veneno. Recluso e passivo diante do mundo acabei economizando muita toxina. Agora fico aqui como bicho selvagem que não contorna o instinto. Se os olhos brilham é porque detectaram uma possível presa. E se o corpo todo fica tão desperto é porque a caçada já começou. Carnificina no horizonte. Tempo para o acerto de contas. Vingança é o nome que arranjaram pra dizer que aquilo que faço não é justiça. Mentira. Minha lâmina é cega. Seu único guia é o sopro da razão. Ainda não sei se o Senhor abençoa. Mas não consigo esperar muito tempo pelo sinal do magnífico. Aprendi com minha mãe que oração sem ação não muda o mundo. E o terço todo eu já contei várias vezes. Tem quem pense que eu faço isto por prazer. Puro engano. Não queria que as coisas fossem assim. Sofro quando lembro que vou sangrar alguém mais uma vez. A diferença é que já aprendi o que fazer pra não deixar o sofrimento amolecer a vontade. E não é que ela existe sempre. Desta vez ela apareceu depois de muito tempo. Fiquei quieto no meu canto tentando ignorar o mundo. Fingi que nada era comigo. Não adiantou. Pois agora estou de volta e com o apetite aberto. Sou meu paralelo e fui colocado em movimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-2513409189957474159?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/2513409189957474159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=2513409189957474159&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/2513409189957474159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/2513409189957474159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2008/08/tenho-comigo-uma-mortfera-dose-de.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-179021411715462887</id><published>2008-02-11T16:22:00.000-02:00</published><updated>2008-02-11T16:37:41.480-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Atendo o telefone, esta praga insistente que entope o meu sossego com um barulho enlouquecedor, sabendo antecipadamente da proposta que vou receber. Minha mulher tem reclamado deste meu estado constante de acautelamento. Meus amigos não reclamam. Quase todos tendem a fazer o mesmo, embora sejam poucos os que conseguem atingir o objetivo. Não é fácil manter o remanso quando as flechas de Jó apontam aleatoriamente para toda uma geração de lascados. Quem não vive num mundo com um mínimo de legibilidade é lascado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;É um dos editores da agência onde disponibilizo minhas fotografias. Digo que disponibilizo porque fico com vergonha de usar um verbo de natureza mais mercantil. Ele acaba de receber a encomenda de um projeto que julga sensacional, uma oportunidade singular para enriquecer minha carreira e valorizar o meu nome, minha marca. Diz que confia no meu talento, que admira minha espontaneidade e meu aparente descaso com as coisas. Finalmente, usando o tom mais jovial que é capaz de dissimular pede meu aceite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Não recordo com precisão o caminho que percorri até adquirir meu jeito lacônico de confeccionar respostas. Talvez tenha surgido como um mecanismo de defesa, traço comum entre aqueles que se sentem constantemente em débito com a vida ou em permanente estado de ameaça. O fato é que não fiz esforços para apresentar minha negativa. Não tenho interesse em executar o projeto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Ele não se faz de rogado. Conhecedor da narrativa bíblica sobre a transformação da água em vinho, converte-se ele mesmo em alguém completamente outro, um sedento por arrecadar os benefícios do ato milagroso. Deixando de lado a urbanidade, pergunta friamente se estou com sobra de cobres para ignorar a oferta. Já sei que a corrente de argumentos atrozes prosseguirá. Ofereço o ouvido enquanto volto meu olhar para a queda d’água do Valdir Cruz que está na tela do computador. Ouço a usual ameaça de que existe muita gente boa disponível e que ninguém está com a “vaga” conquistada, mas não consigo evitar o embaraço com esta fotografia em suporte inadequado. Fico constrangido pela fotografia fora do lugar, reduzida em si, despojada do seu encanto e disputando espaço com ícones espalhafatosos. Também fico constrangido ao imaginar uma pessoa levantando as mãos e simulando aspas enquanto fala “vaga”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Digo que estou envolvido em outro projeto e que minha prioridade agora é concluir o documentário sobre o carnaval curitibano. Um longo silêncio por parte do editor é subitamente interrompido pela sua gargalhada forçada. Pergunta se estou falando sério e se ainda resta em minha cabeça um pingo de juízo. Ele tem razão, deixar uma fotografia tão perfeita na tela do computador é obra de quem foi abandonado pelo discernimento. Estou sem paciência para dar explicações, mas argumento que se trata de um folguedo verdadeiramente popular e com incrível feição familiar. Além disto, é um episódio que demanda a noção de meta-narrativa para ser compreendido. Faz-se novo silêncio. Ouço sua respiração acelerando, o prenúncio da perda de controle.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Não quero que ele me leve a mal. Pertencemos a mundos diferentes. Abro meu coração. Explico que o carnaval curitibano pode ser mágico através da narrativa e que é impossível coletar histórias tão inesperadas em outros carnavais. Ilustro: tem escola de samba evangélica fazendo evolução e ex-vocalista de banda punk puxando samba-enredo. Finalizo: mesmo sem querer, Curitiba guardou o verdadeiro espírito do carnaval brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Ele não sabe o que dizer. De forma velada, faz mais algumas ameaças. Não fico perturbado. Acabo de perceber que ambos somos obrigados a assumir identidades que não queremos quando nos encontramos. Ele não tolera meus devaneios e gasta muita energia para eventualmente dissimular interesse. Não tolero o seu barbarismo de mercado e violento a alma quando tento contemporizar. É provável que em algum momento ele crie obstáculos intransponíveis ao meu trabalho. Aliás, não é apenas provável, é certo. Ele fará isso. Desligo o telefone aliviado. Ele pode apenas cumprir o seu destino, enquanto o meu permanece aberto. Isto faz toda a diferença.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-179021411715462887?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/179021411715462887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=179021411715462887&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/179021411715462887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/179021411715462887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2008/02/atendo-o-telefone-esta-praga-insistente.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-2059207932751609732</id><published>2008-01-03T11:48:00.000-02:00</published><updated>2008-01-03T11:50:39.127-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Foi ao segundo andar com o coração na boca. Todos que trabalham lá sabem que tal pavimento é o abrigo dos poderes que inventam destinos e definem o verdadeiro conteúdo da felicidade. Por conta disto, enquanto subia as escadas, matutava com sofreguidão sobre a natureza do chamado. Nunca foi leitor de textos religiosos, assim como nunca cultivou o hábito de apreciar qualquer gênero de palavra escrita, mas guardava no juízo a idéia fixa de que, ali, dentro dos limites do lugar que, em tempos mais auspiciosos, funcionara um haras, a ninguém era dado o direito de conhecer o dia ou a hora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ensinam-nos os relatos históricos, tanto os oficiais e consagrados quanto os alternativos e replicantes, que diferenças abissais caracterizam as narrativas sobre o enfrentamento da incerteza. Enquanto alguns personagens rastejam, outros cortam a própria carne para preservar a dignidade. O que sabemos, podendo asseverar inclusive que nossas fontes são indubitavelmente confiáveis, é que o nosso personagem, aquele que ascende, jamais admitiu a própria charqueada. Convicto de que conquistas não devem demandar esforços desmedidos, é adepto de movimentos servis e atitudes desprezíveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que, já cagado, abriu a porta para encontrar o nome do papa. Sentou e ouviu. Para delírio e espanto posterior de todos os daltons, ganhou flores. Regressou pela mesma porta como rosa, apto para ornar o jardim de malefícios da casa grande. Dali em diante, não há dúvida que paire sobre este fato, mesmo não havendo mais o haras, a lógica que rege o universo das estrebarias ficou definitivamente consagrada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, caros colegas, a questão central que nos atormenta é esta: durante quanto tempo continuaremos relinchando?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-2059207932751609732?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/2059207932751609732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=2059207932751609732&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/2059207932751609732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/2059207932751609732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2008/01/foi-ao-segundo-andar-com-o-corao-na.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-3489033972506303596</id><published>2007-12-09T10:51:00.000-02:00</published><updated>2007-12-09T11:32:46.913-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_EwREWNJn05o/R1vtUyqMlII/AAAAAAAAAAU/M45pER0tlMo/s1600-h/fmccourt.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5141964341025477762" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_EwREWNJn05o/R1vtUyqMlII/AAAAAAAAAAU/M45pER0tlMo/s200/fmccourt.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Se eu soubesse alguma coisa sobre Sigmund Freud e psicanálise, poderia procurar a origem dos meus problemas na minha infância infeliz, na Irlanda. Essa infância infeliz privou-me da auto-estima, provocou espasmos de autopiedade, paralisou minhas emoções, deixou-me irritadiço, invejoso e sem respeito pela autoridade, atrasou meu desenvolvimento, complicou minha integração com o sexo oposto, impediu-me de me erguer no mundo e deixou-me quase inapto para a sociedade humana. A maneira como vim a me tornar professor e como continuei a ser professor representa um milagre e tenho de atribuir a mim mesmo a nota máxima por ter sobrevivido a todos esses anos em salas de aula em Nova York. Deveria haver uma medalha para pessoas que sobrevivem a uma infância infeliz e se tornam professores, e eu seria o primeiro da fila para receber a medalha, bem como qualquer coisa que possa servir de barreira para outras desgraças&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Eu poderia sair à procura de culpados. A infância infeliz não acontece à toa. Ela é criada. Existem forças sombrias. Se eu apontar culpados, o farei com um espírito de perdão. Portanto, perdôo às seguintes pessoas: ao papa Pio XII; aos ingleses em geral e ao rei Jorge VI em particular; ao cardeal MacRory, que dominava a Irlanda quando eu era criança; ao bispo de Limerick, que parecia achar que tudo era pecado; perdôo a Eamonn De Valera, ex-primeiro-ministro (cargo que os irlandeses chamam de &lt;em&gt;Taoiseach&lt;/em&gt;) e presidente da Irlanda. O senhor De Valera era um fanático gaélico semi-espanhol (cebola espanhola num ensopado irlandês) que orientava os professores em toda a Irlanda a incutir em nós, à força, a língua nativa e a retirar de nós, à força, toda a curiosidade natural. Ele nos causou horas de tormento. Não dava a menor bola para os vergões pretos e azuis que as varas dos professores deixavam em várias partes de nossos corpos jovens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Perdôo também ao padre que me fez correr do confessionário, quando admiti pecados de masturbação e de pequenos furtos à bolsa da minha mãe. Ele disse que não demonstrei um adequado espírito de arrependimento, sobretudo na questao carnal. E, muito embora o padre tenha acertado em cheio, sua recusa a me conceder a absolvição pôs a minha alma em tal perigo que se eu tivesse sido esmagado por um caminhão na porta da igreja ele teria sido responsável por minha danação eterna. Perdôo a vários professores brutais por me puxarem pelos cabelos para fora do meu banco escolar, por me espancarem regulrmente com uma vara, uma correia e um caniço quando eu hesitava nas respostas do catecismo, ou quando não conseguia dividir de cabeça 937 por 739. Meus pais e outros adultos me diziam que era tudo para o meu próprio bem. Eu lhes perdôo por essas tremendas hipocrisias e me pergunto por onde anadam eles, neste momento. No paraíso? No inferno? No purgatório (se ainda existir)?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Posso até perdoar a mim mesmo, se bem que, quando olho para o passado, em várias etapas da minha vida, eu solto um gemido. Que imbecilidade. Que timidez. Que burrice. Que indecisão e que falta de jeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Mas em seguida olho de novo. Passei a infância e a adolescência fazendo exames de consciência e via a mim mesmo num perpétuo estado de pecado. Isso era o treinamento, a lavagem cerebral, o condicionamento, e desencorajava a presunção, em especial entre a classe dos pecadores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Agora acho que chegou a hora de me dar o devido crédito ao menos por uma virtude: a tenacidade. Não é tão atraente quanto a ambição, ou o talento, ou o intelecto, ou o charme, mesmo assim foi o que me permitiu vencer os dias e as noites.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;Dados objetivos e quantitativos sobre o trabalho em sala de aula geralmente são apresentados como portadores de uma verdade absoluta. A passagem acima, retirada do livro de Frank McCourt, nos revela como a experiência de um indivíduo singular, quando filtrada pelo próprio sujeito e dotada de significado, tem valor universal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-3489033972506303596?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/3489033972506303596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=3489033972506303596&amp;isPopup=true' title='85 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/3489033972506303596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/3489033972506303596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/12/se-eu-soubesse-alguma-coisa-sobre.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_EwREWNJn05o/R1vtUyqMlII/AAAAAAAAAAU/M45pER0tlMo/s72-c/fmccourt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>85</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-5663856420093145606</id><published>2007-12-04T11:23:00.001-02:00</published><updated>2007-12-04T11:23:57.609-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Quando não consigo entender direito alguma coisa, logo fico intrigado. Penso que as coisas ditas, escritas, gravadas, filmadas, enfim, que as coisas que chegam aqui sem que alguém traga pessoalmente, não sei se consigo deixar claro o que quero dizer, mas isto não vem ao caso, penso que tudo isso não passa de patranha. O fato é que as coisas andam meio esquisitas. No meio de um mundo bem grande que já era muito complicado, fico aqui considerando que a complicação nunca acaba e só aumenta. Até pensei em escrever um ensaio sobre a natureza do embaraçamento das idéias, só que deixei o projeto de lado. Percebi que me falta clareza de raciocínio para levar o trabalho a bom termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conhecido me disse que houve um tempo, não sei precisar direito quando é que isto ocorreu, muito menos as causalidades que decretaram o seu fim, mas houve um tempo em que as pessoas viam o mundo assim, como agora estou vendo este papel, esta caneta e as minhas mãos. Estou vendo porque está tudo aqui na minha frente. Sou eu com o mundo e nada mais. Nem venham me dizer que existe muita coisa além disto porque não vou aceitar. Esse negócio todo de que não consigo enxergar aquilo que vejo porque vejo apenas aquilo que fui ensinado a enxergar é coisa de desmiolado. Como dizia minha avó, é gente doida que merece vara. Onde já se viu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se existiu um tempo assim, no qual as pessoas enxergavam o mundo por conta própria, isto deve ter sido uma maravilha. Digo isto, não sem meus bons motivos. É que fico imaginando como era bom enxergar apenas aquilo que estava pertinho e nada mais. Hoje tem tanta coisa pra ver que a gente fica meio perdido na vastidão do mundo. Daí que ele fica tão complicado. E daí que as coisas ditas, escritas, gravadas, filmadas, enfim, daí que elas me deixam intrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também houve um tempo em que o diz-que-diz-que me deixava curioso. Isto já acabou. Hoje em dia permanece mais a desconfiança mesmo. Afinal, a curiosidade tem que ser minha, tem que ser controlada pela minha vontade. Quando ela é instigada constantemente pelas coisas ditas, escritas, gravadas, filmadas, enfim, aí viro uma espécie de abobado que se deslumbra por um monte de coisa que nem sabe pra que serve. Deslumbramento é cegueira e nada mais. E tem gente que classifica qualquer baboseira como algo deslumbrante. Obviamente, essa gente não faz idéia do que diz. Acho que, neste caso, a ignorância é justamente aquilo que leva essa gente a dizer tanto e com tanta frequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve estar claro, nesta altura da argumentação, que o esplendor das coisas ditas, escritas, gravadas, filmadas, enfim, sobre o mundo, não me engana mais. Não seduz, mas incomoda, não resta dúvida. Percebi que deste mundo eu quero a experiência. Quero que ele me diga alguma coisa pessoalmente. Depois que ele disser, quero retrucar, caso contrário ele vai ficar dizendo sem parar e eu vou ficar entupido. Definitivamente, ficar entupido não é ter experiência. Quero que ele passe por mim, mas também quero passar por ele. Isto deveria ser, verdadeiramente, a coisa mais simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontro palavras para descrever como ficaria feliz se um dia conseguisse explicar pra mim mesmo toda essa maquinação. De qualquer forma, desconfio que se um dia conseguir, faço as pazes com as coisas ditas, escritas, gravadas, filmadas, enfim, todas essas coisas que querem parecer o mundo e ao mesmo tempo não são o mundo. Curioso, mas no fundo, no fundo, o que quero mesmo é fazer as pazes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-5663856420093145606?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/5663856420093145606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=5663856420093145606&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/5663856420093145606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/5663856420093145606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/12/quando-no-consigo-entender-direito.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-6730475319447549894</id><published>2007-12-03T12:28:00.000-02:00</published><updated>2007-12-03T12:43:34.938-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_EwREWNJn05o/R1QUuCqMlHI/AAAAAAAAAAM/kfffiS2O6fc/s1600-R/Jose_Saramago.gif"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139755855956972658" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_EwREWNJn05o/R1QUuCqMlHI/AAAAAAAAAAM/7UTPHBMxQuM/s200/Jose_Saramago.gif" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;"Se a literatura nesta terra ainda serve para alguma coisa, isto é, se for mais do que alguns estarem a escrever para alguns estarem a ler, torna-se urgente recuperá-la, já que a nossa sociedade corre risco, devido aos audio-visuais, de emudecer, ou seja, de haver cada vez mais uma minoria com grande capacidade para falar e uma maioria crescente limitada a ouvir, não entandendo sequer muito bem aquilo que escuta."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;A precisão de idéia deste senhor é maravilhosa. Com a madureza devida, reflexionemos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-6730475319447549894?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/6730475319447549894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=6730475319447549894&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/6730475319447549894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/6730475319447549894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/12/se-literatura-nesta-terra-ainda-serve.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_EwREWNJn05o/R1QUuCqMlHI/AAAAAAAAAAM/7UTPHBMxQuM/s72-c/Jose_Saramago.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-4440937155245677897</id><published>2007-11-25T23:50:00.000-02:00</published><updated>2007-11-25T23:58:02.951-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O texto que segue abaixo pode causar asco. Minha intenção original não era esta. De qualquer forma, fica a advertência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-4440937155245677897?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/4440937155245677897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=4440937155245677897&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/4440937155245677897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/4440937155245677897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/11/perdi-meu-filho.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-5414698503215977724</id><published>2007-11-25T23:35:00.000-02:00</published><updated>2007-11-25T23:36:17.344-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Não chegava a ser um segredo. Suas aparições sempre foram intermitentes. Dependiam do movimento de sobe e desce daquele tipo de blusa que mal cobre a barriga. Mas não repousava sobre o ventre. Poderia ser ainda mais fatal se repousasse. Estava na parte inferior das costas. Estava naquele ponto em que as reentrâncias do traseiro quase começam a ser anunciadas. É por isto que emocionava, que arrancava lágrimas e que estimulava os pensamentos mais lascivos que um homem é capaz de conceber. Era um desenho deixado por deus pra colorir sua pele tão linda e acobreada. Era a prova de que adão não teve escolha e de que a queda ocorreu por um motivo convinhável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma pequena maçã que gritava com o seu vermelho vivo entre ramos de suaves folhas verdes. Não consigo esquecer a primeira vez em que meus olhos foram agraciados com a sua luz. Agradeci a deus pelo fato de ser homem e roguei a todos os santos que me favorecessem com a dádiva de saborear o dito fruto. Ela levantou, deu alguns passos, virou e agachou para pegar o papel que estava caído. Caído fiquei eu. Sua tatuagem, coroando um rabo de formato redentor, surrupiou qualquer vestígio de serenidade que restava em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que saí do trabalho e voltei pra casa chorando. Uma emoção de tipo bastante raro tomou conta de minha alma, provocando dor em todo o meu corpo. Momentaneamente a rua desapareceu de minha frente, o que me expôs a sucessivos riscos de acidente. Entre buzinas, xingamentos e injúrias eu passava bailando com meu carro desgovernado. Em minha cabeça aparecia apenas o rabo, a tatuagem e, finalmente, o nome: Rosecler, adorada Rosecler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, passei batido pela sala e ignorei a presença de todos, correndo em direção ao meu quarto, buscando a paz daquele refúgio que quase sempre é inexpugnável. Mamãe, guardiã zelosa do bem-estar da família, percebendo o meu estado de desassossego, correu ao meu encontro. Com o ouvido colado à porta, começou a berrar com sua voz doce e em tom inquisitorial: quem é esta tal de Rosecler!? Distraído, com a cabeça atolada no travesseiro, acabei confessando. Fui obrigado a abrir a porta para deixar mamãe entrar. As sólidas paredes de minha fortaleza tinham soçobrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhando um cafuné dos mais gostosos, compartilhei com mamãe todo o episódio que se desenvolvera até então. É sempre bom desabafar com mamãe. Pra todos os meus problemas ela sempre encontra uma solução. Aliás, ela não encontra apenas uma solução. Ela encontra, entre todas as soluções possíveis, aquela que é inquestionavelmente a melhor. Mamãe sabe das coisas. Não gostou de Rosecler, mas achou perfeitamente aceitável o filho desejar um rabo coroado com tatuagem de maçã. Saindo do meu quarto, prometeu um almoço de sabor ímpar: ia mandar a empregada preparar um belo prato de rabada com polenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado o rega-bofe, vertendo todo aquele fubá pelas orelhas e atacado por uma modorra fatal, não conseguia pensar em mais nada. Dormi e não guardei registros de devaneios. Ao acordar, as lágrimas voltaram aos meus olhos. O rabo, a tatuagem e Rosecler insistiam em dançar logo ali na minha frente. Gritei desesperado e mamãe acudiu. Disse que queria o rabo coroado com a tatuagem de Rosecler só pra mim. Mamãe argumentou que tatuagem hoje em dia é coisa mais que trivial. Sugeriu um relaxamento na academia, em meio ao severo trabalho de levantamento de pesos, acompanhado da contemplação dionisíaca daquele desfile de tatuagens em suportes bem torneados e rabos maravilhosamente esculpidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, fiz o que mamãe mandou. Castiguei os braços e o peitoral. Carreguei no supino uma carga que até cavalo reclamaria. Não adiantou. Mesmo contemplando aquilo que deveria ser o objeto do meu desejo, não consegui tirar o rabo, a tatuagem e Rosecler de minha cabeça. Adorada Rosecler. Estava pensando em minha musa, quando uma dessas bonequinhas de boa bagagem genética resolveu tagarelar. Ela tinha recebido um telefonema de mamãe, que a havia informado sobre minha mais nova obsessão. Mamãe é mesmo muito prestativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos para o apartamento dela, um desses imóveis de classe média bem mais que alta, comprado pelo pai que ganha os cobres na cidade do interior e depois manda a filha pra ganhar lustres na capital. Não posso reclamar. O investimento foi bem feito. Rendeu uma boa lustrada na filhinha do papai. Mesmo assim, a imagem, que já passava a ser fantasmagórica, do rabo, da tatuagem e de Rosecler, não me permitia um momento sequer de descanso. Atordoado, agarrei a cintura da bonequinha, que ainda guardava ares de filhinha do papai, mesmo após ter recebido um belo lustre, e joguei-a novamente no sofá. Caída e com o cabelo desalinhado, ela respondeu com um sorriso convidativo. Virou-se e ofereceu exatamente aquilo que mamãe havia encomendado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pra casa e até tentei pensar em minha adorada Rosecler, mas a cavalgada havia sido muito longa. Estava cansado e ainda tinha que trabalhar. Fui tomar banho e, enquanto deixava a água quente relaxar os músculos do pescoço, recebi a visita mais que oportuna de mamãe. Ela queria receber notícias a respeito de minha nova namorada. Queria saber se a entrega havia sido completa e se a tatuagem era do tipo que eu esperava. Curiosamente, não havia reparado na tal da tatuagem. Enxugando meu corpo com o cuidado que sempre teve desde os meus primeiros dias, mamãe me assegurou que a tatuagem existia e que eu deveria voltar ao apartamento de minha nova namorada para apreciar. Argumentei que ela não era minha namorada. Mamãe deu um sorriso e, passando a toalha felpuda entre minhas pernas, disse que não havia problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui para o trabalho com as energias renovadas. Já estava quase esquecendo de Rosecler, de sua tatuagem e do seu rabo, quando uma experiência verdadeiramente mística apoderou-se de mim. Entrando na sala de reuniões, encontrei Rosecler que me cumprimentou com um belo sorriso. Sabia que aquela mulher adorada não era apenas rabo e tatuagem. Deixando de lado os conselhos de mamãe, me sentei ao seu lado e comecei a puxar conversa. Logo percebi que Rosecler era uma mulher espirituosa e bem articulada. Mais do que isto, percebi que Rosecler era a mulher da minha vida. Eis o conteúdo da experiência mística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei realmente surpreso, posto que aquele encontro não havia sido planejado. Trabalho pelas manhãs e eventualmente à noite. Rosecler sempre trabalha apenas pelas manhãs. O que ela fazia no trabalho naquele horário? Descobri, com o peito estufado de orgulho, que Rosecler já havia arquitetado mostrar a tatuagem e o rabo pra mim. Generosa, ofereceu um apanhado geral sobre a própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do trabalho na empresa, onde éramos colegas, Rosecler também era modelo. Havia namorado um jogador de futebol e tinha uma filha pequena de cinco anos. Sua biografia apenas acrescentou admiração ao encanto que já existia em meu olhar. Não restava dúvida. Queria casar com Rosecler. Combinamos uma saída pra depois do trabalho. Ela impôs apenas uma condição: voltar cedo pra casa pra poder colocar a filha na cama. Por algum motivo, acreditei que aquele ar maternal serviria para levar mamãe a ser mais simpática com Rosecler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava enganado. Depois de ter levado Rosecler pra casa, um lugar bastante humilde que fica na cidade mais afastada da região metropolitana, deslocamento que implicou numa viagem urbana com mais de duas horas de duração, encontrei mamãe que me esperava com ar severo. Ela queria saber de tudo. É claro que contei tudo. Mamãe não entendeu nada. Repetiu variadas vezes que Rosecler não passava de uma biscateira, uma dessas carreiristas que existem por aí, justamente dessas que enfiam tatuagem de maçã coroando o rabo, uma melindrosa especializada nas artes dos dares e tomares, uma marafona que queria apenas tirar proveito do filhinho da mamãe. Mamãe me fez chorar copiosamente. Mamãe não parava de dizer: ainda por cima é preta e com cabelo ruim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acobreada. Não, a pele de Rosecler não era como mamãe afirmava. Era uma pele linda e com cheiro de jasmim. Seus cabelos então, minha nossa. Enterrar o nariz naqueles cabelos até encontrar o delicioso cangote. Sim, desobedeci mamãe e continuei saindo com Rosecler. Ficamos íntimos e foi assim que descobri o seu cangote. Só espero que ninguém fique pensando coisas erradas a nosso respeito. Rosecler fez questão de deixar as coisas muito claras. Disse que fazia tanto tempo que não dispunha de intimidade com homem, tempo dedicado à tarefa de mãe, que não aceitaria disponibilizar logo de cara o espaço de recreação. Fazia sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficávamos deitados no sofá da sala de Rosecler, acompanhados de sua filha e assistindo à novela. Já éramos quase uma família. Um dia, logo após a criança pegar no sono, Rosecler me confidenciou que, pelo tempo de resguardo, acreditava ter voltado a ser virgem. No começo achei uma conversa muito estranha. Mas como Rosecler era uma mulher de muito valor, pegou o meu dedo médio e deslizou pelo baixo ventre até encontrar a concha e o caramujo. Enquanto orientava meu dedo com movimentos suaves, ressaltava o aspecto austero de sua membrana. Minha virgem Rosecler! Neste dia conheci uma explosão de puro êxtase. Percebendo meu desespero, Rosecler ofereceu um acordo. Faria tudo que não envolvesse a violação de sua membrana, que ficaria prometida para a nossa noite de núpcias. Adorei o acordo e coloquei em meu horizonte a certeza de que o enlace definitivo não tardaria. Aproveitei intensamente a tatuagem, o rabo e a candura de minha adorada Rosecler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que mamãe, por motivos que até hoje não consigo compreender, fez de tudo para inviabilizar o meu sonho. Arranjou outras bonequinhas, cortou minha complementação salarial, proibiu nossa empregada de lavar as minhas roupas e escondeu as chaves do meu carro. Até aí não teve problema. Era tudo muito simples de contornar. Continuava encontrando Rosecler no trabalho, de onde saíamos de ônibus para a sua casa. Comecei a dormir na casa de minha adorada Rosecler. Era só esperar a filha dormir para poder contemplar aquela beleza encarnada sob a forma de rabo coroado com tatuagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo caminhava bem. Os preparativos para o casamento já estavam adiantados, quando resolvi aparar as arestas com mamãe. Rosecler, mulher de uma santidade virginal, foi quem me deu estímulo diuturno para agir desta forma. Ela achava que não podíamos ficar desprovidos da benção de mamãe, bem como de minha complementação salarial, do meu carro e de outros benefícios que apenas mamãe era capaz de oferecer. Procurei por mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcamos um encontro por telefone. Mamãe foi muito atenciosa. Nem parecia estar zangada comigo. Pediu apenas que nos encontrássemos em um hotel, pois havia preparado uma grande surpresa. Chegando lá, fui conduzido ao quarto onde mamãe estava. Bati na porta e ela me mandou entrar. O ambiente estava escuro. Fui obrigado a caminhar às apalpadelas para chegar até mamãe, que apenas sussurrava meu nome. Chegando próximo à cama, hesitei por um breve momento e cogitei recuar. Neste momento, uma luz tímida foi acesa e pude perceber mamãe deitada com o rabo levantado. Coroando o rabo de mamãe estava uma tatuagem idêntica à de Rosecler. Mamãe sorriu e disse: mulher nenhuma neste mundo consegue oferecer aquilo que apenas eu sou capaz. Com o dedo ela indicou a tatuagem e fez sinal para que eu me aproximasse.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-5414698503215977724?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/5414698503215977724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=5414698503215977724&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/5414698503215977724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/5414698503215977724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/11/no-chegava-ser-um-segredo.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-931969996686008945</id><published>2007-11-23T11:26:00.000-02:00</published><updated>2007-11-23T11:51:00.650-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;            Distante do universo musical, alheio ao campo do refinamento técnico, o verbo afinar revela graciosamente a essência da pusilanimidade. Fazendo referência à contração que toma de assalto aquele músculo de formato anular, insinuando a inaptidão do indivíduo para resguardar o controle necessário no momento em que topa com o adverso, a referida expressão traduz com superlativa eloquência aquilo que mil palavras polidas podem no máximo tangenciar. Dizer que alguém afina é o mesmo que registrar sentença inapelável condenando o réu à pecha de cagão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O caso em questão, o de uma afinada monumental, ocorreu recentemente, num espaço bastante sigiloso e delimitado pela privacidade de quatro paredes. Nele, um casal em processo de formação, dialogando sobre as virtudes de compreender o mundo com as lentes da erudição, estava a constatar o absurdo desta vida, o descabimento do atual andar da carruagem. Ocorre que a mulher, tomada pela sinceridade que apenas os crentes são capazes de sustentar, empenhava o próprio sangue a cada palavra dita. Já o homem, incorporando um amaneiramento teatral, bailando num palco imaginário, fingia um estado de espírito absolutamente incompatível com o seu descaso existencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Estando o casal nesta peculiar disposição, fala ele e aquiesce ela, eis que o desespero emerge como fruto do consenso. É claro que pessoas conscientes são aflitas. Saber das coisas é um privilégio doloroso. Agora, encontrar alguém que possa compartilhar esta carga de negatividade nada tem de lastimoso. Conversar sobre a ruína e o fim dos tempos é uma prática bastante apetecível. Ter noção, algo distinto daquilo que caracteriza a média de alienados deste mundo vil, é um poderoso estímulo. Na privacidade resguardada pelas quatro paredes, o desespero ganhou contornos apetitosamente lascivos. Não demorou muito para que o discurso sobre a desdita migrasse para o campo dos flertes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Toma isto e dá cá aquilo, troquemos afagos e enfrentemos o mundo com nossas intimidades unidas. Como é doce ouvir palavras assim da boca de uma mulher. Sim, gostaria de dar, de trocar e de enfrentar, no entanto sinto algo estranho dentro de mim. Esta não foi a primeira vez em que o sujeito varonil avançou os peões precipitadamente sem proteger flancos e retaguarda, sendo forçado ao abandono do tabuleiro. Mas troquemos! Isto já não é lá muito doce. É terror puro e sem paralelos. Ela grita e exige. Ele rasteja e, incapacitado, foge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Quem iria imaginar que uma mulher passaria ao estado do avançar sinais numa condição discursiva como esta. Isto não foi o que ele fantasiou. Arquitetava um prazer meramente tagarela. E ela ali, na base do feche a boca e vem cá logo. Minha nossa que aperto! Foi-se o tempo em que o bico era capaz de solucionar problemas. Há quem sinta saudade, particularmente quem já foi submetido à degradante condição de afinar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-931969996686008945?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/931969996686008945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=931969996686008945&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/931969996686008945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/931969996686008945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/11/distante-do-universo-musical-alheio-ao.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-4375460413938575764</id><published>2007-10-11T16:12:00.000-03:00</published><updated>2007-10-11T16:13:39.089-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Tirou a roupa da jornalista para facilitar o trato íntimo. Foi recebido com todo o desvelo. Como é difícil encontrar um pedacinho de carne que se entrega com tamanha doação. Brincou com os apetrechos femininos de forma quase infantil. Roeu o osso e lambeu os beiços. Havia encontrado o seu parque dos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobiçou a fêmea durante meses. Ela aparecia, propunha as perguntas próprias ao seu universo profissional, balançava os cabelos, esboçava um sorriso e ia embora oferecendo o belo traseiro. No mundo dos cães, não aquele formado por galgos e mastins, vítimas inocentes de uma projeção maligna deveras humana, mas o nosso mesmo, atravessado pelo império da canalhice, o biltre sabe que traseiro não é despedida. É convite para a sacanagem. A imagem foi reprisada várias vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, no aconchego do leito e acompanhado pela esposa, não queria deixar de lado as lembranças lascivas. Memória transformada em impulso, impulso convertido em vigor, ofereceu à consorte, sempre posta de quatro e com o rabo empinado, a satisfação que há muito fora deixada de lado. Mal sabia que tais momentos de gozo lhe renderiam o perdão futuro e mal sabia a autora da futura indulgência que o seu rabo estava sendo associado a outra cadela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a indagar sobre as origens daquela invulgar atração. Recordou de pronto o primeiro dia em que viu as mãos da jornalista de posse do instrumento de trabalho, um microfone que balançava pra lá e pra cá, que descia e subia, um falo que constantemente retornava para perto dos lábios carnudos. Ainda bem que as perguntas são sempre parecidas, caso contrário, suas respostas, eternamente as mesmas, teriam revelado aquilo que deve restar, para o bem de todos e para o bom andamento dos negócios públicos, confinado nas profundezas abissais da própria alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das vantagens do poder consiste em permitir que o desejo não permaneça contido por tempo indeterminado. Jorrar despudoradamente é uma das suas principais dádivas. Justamente por ser quem é, possuidor da legitimidade de um mandato público, zeloso representante da vontade popular, fez valer a sua autoridade incontestável, sacramentada em votações e demais mecanismos de reconhecimento, para converter o cobiçado pedaço de carne em banquete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rega-bofe que se preze não deve ficar restrito ao mundinho privado. Esta é uma verdade recente, descoberta nas páginas de revistas e programas televisivos especializados na arte de bisbilhotar a vida alheia. Trato íntimo digno de valor é aquele que rende elogios e enaltecimento da competência varonil. O líder da canzoada merece aplausos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que a cadela em questão, provavelmente assoberbada pela proeminência do próprio rabo, não sabe reconhecer méritos ou respeitar as regras que disciplinam a ordem necessária entre caçadores e caçados. Ponderou que o seu trato íntimo, pela qualidade diferenciada da entrega, merece elevados cobres em retribuição. Inspirada pela canina lógica que rege as artes dos dares e tomares, resolveu transformar a fornicação em drama nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, aquilo que demanda a atenção comovida duma nacionalidade inteira, é o que já sabemos por experiência, não passa de instrumento de coleta. Fatura mais o circo que tem  maior audiência. Além disso, para entreter a platéia, elemento ímpar na eliminação de custos indesejados, o palhaço nem sempre precisa renovar as suas galhofas. Ao que tudo indica, e isto implica em fabulosa economia simbólica, mudam os rabos mas a sacanagem permanece a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a cadela e os seus dotes para o trato íntimo encontram-se expostos ao nosso deleite. Registrada a sua sordidez, vibremos novamente com o caráter heróico de nosso líder. Perdoado pela esposa e amparado pelos amigos mais fiéis, está apto a procurar novas aventuras. É nossa a sua conquista: uivemos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-4375460413938575764?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/4375460413938575764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=4375460413938575764&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/4375460413938575764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/4375460413938575764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/10/tirou-roupa-da-jornalista-para.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-8205424807342458086</id><published>2007-10-08T10:21:00.000-03:00</published><updated>2007-10-08T10:29:26.117-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Sabe-se que demanda o urinol aquele que está com pressa, aquele que já não agüenta mais segurar, enfim, aquele que está apertado. Gostaria de afrouxar suas necessidades num palácio de mármore branco com cheirinho de eucalipto ou coisa parecida, mas como ficou registrado nos anais da erudição cotidiana, quando não tem tu, vai tu mesmo. Isto posto, pretendíamos nós nos acercar das acaloradas tertúlias intelectuais a respeito dos motivos objetivos e subjetivos que impedem o nosso narrador de, por fim, botar para fora a sua tão procurada primeira frase. No entanto, retido fica ele, afrouxados ficamos nós, o jato demanda o gato no lugar do cão, já sabemos que a caça será improvisada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasculhamos o universo domiciliar do narrador, rogando às estratégias detetivescas por algum tipo de inspiração, chegamos inclusive a interpor o adjetivo elementar a uma série de vínculos entre causas supostas e efeitos percebidos, mas deste jeito não encontraremos nada, mal conseguimos concluir uma frase com o mínimo de linearidade que se espera de um narrador. Vejam bem que o narrador carente de atenção está lá e não aqui. O daqui pode ser tão parvo quanto o outro. No entanto, sua dificuldade, é o que acreditamos, é de outra natureza e não desperta o interesse para uma narrativa ardorosamente curiosa como esta. Onde é que estávamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos ao domicílio do narrador. No espaço de preparo dos alimentos encontramos sua prestativa diarista. Ela luta contra a tampa de um vidro de pepino azedo que insiste em não abrir. Abre desgraçada! Que imagem mais deprimente. Como pode um ser, que se classifica através do apelido de racional, pelejar com tamanho empenho para obter uma conquista de mérito tão reduzido? Faz careta e contrai todos os músculos do corpo. Já está quase sentindo câimbra na mandíbula, sim, para muitos o principal ponto de aplicação de força para a abertura dos vidros recalcitrantes de pepino azedo. Curva o dorso para frente e para trás. Apela à superior aderência do pano de prato para evitar que a palma de sua mão já suada escorregue pela superfície da bucha. Esgotados os recursos consagrados pela etiqueta do bom combate, toma em suas mãos uma faca como quem visa induzir o adversário ao pânico. Aponta a lâmina afiada para o vidro de pepino azedo e já a ouvimos dizendo agora você vai ver, hora do acerto de contas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A degustação do pepino azedo é acompanhada pela palestra da diarista que discorre sobre a falta de persistência do patrão, inconstância manifestada nas mais variadas esferas da existência. Reclama que todos os consertos são começados e nunca concluídos. O aspirador de pó está incapacitado e a máquina de lavar roupas faz aquele barulho insuportável de enguiço. Tem um mês que espera pela nova remessa de sabão em pó para dar uma melhorada na brancura das roupas. Não suporta mais o sabão de coco, o cheiro é intragável. Comida na dispensa é raridade. O dito narrador come mal e porcamente. Com tantos problemas domésticos acumulados, com tantas pendências por resolver, qual a finalidade de refletir sobre a frase que não sai? Vai ver é isso mesmo. Quem não cuida nem do feijão com arroz que não se meta com o estrogonofe. Ficamos abalados com a precisão do comentário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-8205424807342458086?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/8205424807342458086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=8205424807342458086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/8205424807342458086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/8205424807342458086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/10/sabe-se-que-demanda-o-urinol-aquele-que.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-4803334952228407873</id><published>2007-10-05T15:06:00.000-03:00</published><updated>2007-10-08T00:03:53.185-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saibam vocês leitores, atentos ou não, que o nosso narrador, aquele que busca a sua primeira frase, é alvo de severas críticas e remoques. Há quem afirme, vejam que maldade, que por falta de ter o que dizer, o nosso narrador procura esconder a sua ignorância por meio de floreios e circunlóquios. É responsável por parlendas, estratégias de narração desprovidas de valor literário, úteis apenas para entreter os mais desavisados e alheios à verdadeira erudição. Há ainda quem proponha, e por conta disto nos perguntamos se existe algo pior do que a própria maldade, talvez uma forma absoluta de desumanidade, que o nosso narrador nem ao menos consegue manejar os rudimentos mínimos da escrita para ocultar aquilo que deseja, a sua vasta incompetência para comunicar algo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;Inimigos imaginários, dirão os maldizentes mais incendiários, aqueles que pretendem desancar cabalmente qualquer motivação que resta ao nosso narrador. Não se trata de um mero ignorante. Trata-se, isto sim, de um simples ignorado. Basta dizer isto. O nosso narrador não merece mais do que o silêncio. Inventa opositores para justificar suas pífias motivações. Delineia um campo inexistente para disputar uma certa forma de reputação que, em verdade, ninguém pleiteia. Sendo assim, que caminhe a humanidade, que passe a caravana e que corra o rio para o seu destino. Caso o nosso narrador finalmente encontre a primeira frase que tanto procura, isto representará um acontecimento insignificante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;Ousamos dizer, no entanto, que quem procura algo terá sempre algum crédito. Não se trata de raciocínio monetário ou mercantil. Aqui estamos ponderando sobre os mistérios da confiança e da fé. Não aceitamos hoje, assim como não aceitaremos amanhã, é sempre bom deixar claros certos princípios imunes à flexibilidade, que critérios objetivos sejam utilizados para aquilatar dramas subjetivos. Tomem ciência prezados leitores, interessados ou não, que o tempo de quem julga sempre será mais confortável do que o tempo de quem é julgado. Desprezamos a boçalidade de quem insinua abdicar de juízos morais para atirar todas as pedras, as primeiras e as subseqüentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ignorado ou não, ficará o nosso narrador com sua busca pela primeira frase. Está convicto de que esta ferida, chaga que insiste em não cicatrizar, não é da ordem da cruz, fardo que se carrega sobre os ombros através da dolorosa via-sacra. Esta ferida está para a vida como a roda está para a alavanca. Eis uma formulação romântica que dispensa maiores comentários. Consideramos a exposição de motivos concluída. Temos profunda estima pelo nosso narrador. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;Ele admite estar perdido. Ainda assim, recusa terminantemente tecer louvores ao sofrimento e incensar a famigerada dor que origina engenhosos prodígios. Por uma questão que classificaremos como geracional, passou a reduzir todas as suas expectativas. Abdicou de muitos compromissos. Sentiu-se livre. Paradoxalmente, não encontrou vestígios de emancipação. Procura pela sua primeira frase porque pretende afirmar algo tão definitivo a ponto de lhe restituir um vínculo palpável com o seu tempo. Se quer imaginar inimigos e contendas abstratas, que o faça. Criaturas míticas, temos certa predileção por sereias, oceanos perigosos, não nos interessamos por mares que conduzem ao epílogo das viagens, mundos fabulosos, admitimos o nosso gosto por ilhas que não constam nos mapas, batalhas fantásticas, é claro que estamos sempre ao lado do pequeno que derrota o gigante, enfim, temos os elementos usados por um narrador para rasgar a realidade com um pouco de imaginação. Se o faz, é porque a vida cotidiana não lhe basta, é porque concluiu que a vida não pode ser apenas isto, aquilo que agora é ou aquilo que sempre foi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabemos nós, se for o caso acatem vocês leitores, crentes ou não, apenas não interrompam a narrativa, pois agora as objeções não são oportunas, não queremos perder o fio da meada, quem afirma um pressuposto experimenta a sensação de escapar ao próprio labirinto, mas como estava sendo dito, sabemos nós que as coisas que estão ditas podem ser revistas. A afirmação não pretende ser válida para o atacado. Visa o varejo, sim, casos particulares e delimitados pela nossa habilidade intelectiva, que coisa formidável. As coisas que estão ditas podem ser revistas. E quem diz rever também pode dizer emendar. E quem diz emendar também pode dizer modificar. E neste ponto, é fundamental ressaltar, quem diz modificar, tendo consciência de coisas elementares, pode dizer que a refração modifica a luz. Voltemos. A equação é bastante simples. Em resumo, podemos dizer simplificadamente, de forma concisa e clara, que o nosso narrador é um indivíduo refratário a algo que está dito. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Curioso observar que nestes tempos de empreender, fazer e acontecer, numa época em que a ignorância é tida como a mais formidável estratégia de legitimação, fomos encontrar um narrador de constituição tão anacrônica. Acaso acredita este narrador possuir dotes incomparáveis? Cremos que não. Ainda assim, reafirmamos a simpatia que por ele sentimos, bem como nossa firmeza de ânimo na convicção de que a busca por sua primeira frase é repleta de sentido. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-4803334952228407873?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/4803334952228407873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=4803334952228407873&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/4803334952228407873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/4803334952228407873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/10/saibam-vocs-leitores-atentos-ou-no-que.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-1543918493908986113</id><published>2007-10-02T12:11:00.000-03:00</published><updated>2007-10-02T12:12:53.043-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Imaginemos que o nosso narrador, após dilatada procura, finalmente encontrou a sua primeira frase. Minha nossa, mas que felicidade! Opa, opa, estes momentos de topada com a revelação demandam um mínimo de cautela. Sim, é claro. Afinal de contas, se finalmente encontrou, o que faz o narrador que ainda não escreveu? O que impede este personagem de ignorância sem paralelo de dar cabo à ansiedade coletiva? Percebam como hesita com as pernas trêmulas e com os dedos, sim, os verdadeiros transmissores do fluxo comunicativo no campo literário da era digital, mas voltemos, e com os dedos paralisados. Utilizando a luz adequada, a sombra destes dedos, ao todo dez pelo que a nossa conta revela, insinuaria o ápice da tensão medonha numa história de terror. Colados articularmente às mãos, projetam-se como pontas inclementes para o pescoço da vítima. Ocorre que a luz aqui presente é destinada a outros propósitos. Deixemos de lado o trololó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exercício presentemente insinuado é de ordem hipotética, não nos esqueçamos. Neste caso o busílis não repousa no encontro, mas na ausência de escrita. Seria adequado aventar a possibilidade de um bloqueio? Não fazemos idéia. Este tipo de fenômeno observado, classificado e manipulado pelas ciências da subjetividade escapa ao nosso refratário aprendizado. Impossibilitados que estamos de buscar alento nas construções mais floreadas do intelecto e, por outro lado, atravessados que estamos pelo apetite de abocanhar um mínimo que seja de clarividência, declaramos de pronto a nossa inclinação para pedir arrego, ou ainda, para usar um palavreado compreensível tanto no aeroporto como no terminal rodoviário, antecipamos o nosso intento para pedir penico, que ninguém se atreva a questionar o bom gosto que rege a composição destas linhas, isto é o que não nos falta. Pedimos penico. Ajude-nos a ancestral sabedoria popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem encontra a sua primeira frase e, pernas trêmulas, mãos paralisadamente tétricas como aquelas de um filme de terror, cursor piscando no canto superior esquerdo de uma tela branca, agora me ocorre a idéia de que esta tela ocupa o espaço um dia ocupado pela folha de papel, deixemos isto de lado, o homem não escreve. Deduzimos que encontrar a primeira frase, já lapidada pelas regras da estética e adaptada às imposições da gramática, não encerra o trabalho de iniciar a escrita. Pelo menos isto não é válido para o caso deste parvo que se encontra sob questão. Teria ele consciência da quantidade de problemas que nos cria por comportar-se desta forma?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-1543918493908986113?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/1543918493908986113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=1543918493908986113&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/1543918493908986113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/1543918493908986113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/10/imaginemos-que-o-nosso-narrador-aps.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-8633847884805379807</id><published>2007-09-23T22:32:00.000-03:00</published><updated>2007-09-23T22:42:04.770-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Preciso encontrar a primeira frase antes de sair de casa. Sim, preciso deixar o começo desta narrativa esboçado, caso contrário, todas as tarefas que virão a seguir ficarão em suspenso, serão feitas em estado de distração. Mas onde está a maldita primeira frase, em que território encantado da minha imaginação ela foi se esconder? É nestas horas de desconforto existencial que clamamos pela ajuda de algo transcendente. Não fosse este narrador um espírito de dotes intelectuais tão limitados, tudo seria mais fácil. Então é isto. Já sabemos que o desespero de um narrador em busca da sua primeira frase, aquele rasgão inaugural, aquele obséquio à continuidade, talvez até mesmo a ponta do mitológico fio de ariadne, quem garante que não, mas como estava sendo dito, a aflição de um indivíduo metido a historiar, perdido a catar sua proposição primogênita, constitui o sustentáculo que organiza e dá sentido a estas linhas. Temos cá as nossas suspeitas de que este pouco dotado narrador esboça maliciosamente o intuito de escapar do seu labirinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defrontamo-nos, sem querer, com a intrigante história universal das primeiras frases. Que fique o narrador provisoriamente soçobrado em seu emaranhamento. Fiquemos nós entretidos com um gênero de reflexão ímpar, pois todos aqueles que trespassaram as fronteiras deste campo especialíssimo da narrativa sobre os fatos notáveis da saga humana sob o sol, sim, os limites demarcatórios de um segmento cognitivo deveras notável, gozaram as dádivas da iluminação celestial. Objetará o leitor atento, e já nos adiantamos em reconhecer a pertinência desta contradita, que não está o narrador soçobrado. Saiu de casa. Já deve ter abandonado a sua busca. Neste momento, o que as regras da probabilidade propõem e insinuam, não nos atrevemos a dizer que tais cânones demonstram e provam cabalmente, visto que o mundo não está no modelo, sendo muito mais pertinente conceber que este deriva daquele, não podendo o fruto abraçar integralmente a própria árvore que o originou, mas continuemos, sob pena de perdermos completamente a objetividade, o narrador deve ter a sua atenção dividida entre os infinitos estímulos e demandas que o mundo contemporâneo apresenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tínhamos comentado, por outro lado, que o desespero de um narrador em busca de sua primeira frase constitui o sustentáculo que organiza e dá sentido a estas linhas? Sendo assim, mesmo reconhecendo a pertinência do ato impugnatório apresentado pelo leitor atento, é nossa obrigação salientar que para o narrador em questão, não há estímulo ou demanda que se sobreponha aos dilemas de seu mundo interior. Leva tremendamente a sério os seus devaneios. Da mesma forma, também não foi dito que todas as tarefas que virão a seguir ficarão em suspenso? De fato, percebam, tão distraído vai o nosso narrador que quase bate o seu veículo. Foi por pouco! Olhe bem, leitor atento, cuide você da sua leitura que cuidamos nós desta narrativa. Que saudade daquela época gloriosa em que os responsáveis por uma narrativa como esta eram tidos como indivíduos fora do comum, merecedores de um crédito descomunal. Hoje em dia o que mais se observa por aí é que qualquer leitor atento julga-se no direito de espreitar, compromissado que está com a postura da não-respeitabilidade. Vivemos no tempo das chacotas, que deus tenha clemência de nossas pobres almas. O nosso pior castigo é esta saudade imensa de algo que nuca vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sabemos, portanto, que o narrador continua em sua busca. Estabelecida esta verdade incontroversa, podemos admitir que todo o cavaco sobre a história universal das primeiras frases não passa de embromação. Sabendo que brinca e tapeia aquele que embroma, não é o caso para pensarmos em mentiras e embustes, a nossa orientação é para que todos associem este comportamento à prática do entreter. Quem nunca saracoteou aqui e ali com o propósito de ganhar um tempinho? Evoquemos alguns combalidos princípios de cortesia para convidar variados segmentos sociais, num movimento conjunto pelo bem da urbanidade, pelo resgate de nossas conquistas civilizatórias mais essenciais, a dar um pequeno desafogo para o narrador. Provavelmente está tenso, já não consegue lidar adequadamente com os seus afazeres cotidianos, sente-se aporrinhado e quase sofreu um acidente de trânsito. Além do mais, acreditamos piamente que um pouco de privacidade para o acossado renderá boa colheita no atacado. Ganhará ele e ganharemos nós. Dito isto, à recreação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giza a enciclopédia platônico-aristotélica sobre as primeiras frases, tanto as saborosas como as insossas, publicada pela casa nacional da erudição, que elas sofrem de uma alienação tão difusa e intensa quanto ancestral. Esta aclamada obra, indo rumo ao acolá, chega a postular que nunca uma primeira frase apresentou vida própria, que nunca este gênero sentencial teve autonomia para forjar o seu próprio destino e, finalmente, que toda a história das primeiras frases está condensada na história do perverso controle que as últimas frases sobre elas exercem. Componente basilar ao epílogo da referida obra é a sugestão revolucionária de que unamos nossas forças para a mais que necessária emancipação daquelas que descortinam o mundo das letras. Agora o leitor atento já deve ter percebido o pano de fundo político deste pequeno momento recreativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que pese todo o acalorado debate gerado desde a primeira publicação da enciclopédia platônico-aristotélica, ocupando inicialmente ambientes de talhe mais acadêmico para progressivamente contaminar todo o tipo de espaço onde a sociabilidade é possível, sabe-se que sua proposição central é objeto de aceitação consensual. Serviu inclusive para referenciar uma ampla pesquisa científica realizada em escala mundial, cujo mérito principal consistiu em demonstrar que, a despeito de diferenças e sutilezas culturais, as primeiras frases são lidas apenas porque objetiva-se chegar da forma mais prática possível às últimas. Que falta de consideração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescentaremos, como quem puxa toda a brasa para a própria sardinha, ato dos mais abnegados possíveis, pois quem assa este cevado tipo de peixe o faz para o proveito coletivo e nunca para o deleite exclusivamente pessoal, onde já se viu alguém obrar com a ardência da lenha ou do carvão estando desprovido do elemento gregário, porém, como o raciocínio principiava por apontar, acrescentaremos que o desdém com as primeiras frases nunca deixará de ser a falta de estima com quem, desesperado ou não, a procura. Conhecessem os leitores o dolorido processo deste parto intelectivo, seguramente o seu descuido seria emendado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já percebemos daqui aquela movimentação gestual que acaba por precipitar a controvérsia. Proporá o leitor atento, mais uma vez interrompendo o bom andamento desta narrativa, introduzindo o circunlóquio onde haveria apenas a mais pura linearidade, que não participa desta tendência e que sempre teve apreço pelas primeiras frases. Afrontosamente apresentará sua lista de primeiras frases preferidas, destilando erudição e rigor na escolha dos critérios seletivos. Por pura falta de paciência, recomendaremos ao leitor uma verificação mais prudente da enciclopédia platônico-aristotélica, bem como um acompanhamento mais detalhado das sucessivas pesquisas científicas que têm versado sobre o tema. Perceberá que a contenda já foi há muito pacificada e descobrirá que o caso pessoal nunca será suficientemente relevante para fazer desmoronar o castelo argumentativo de uma teoria. Ele não é de cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por termos aceito o repto do leitor atento, longe vá a fraqueza de permitir que a própria escrita seja pautada pelo palpite alheio, tomemos rapidamente o caso bíblico como exemplo. No princípio deus criou o céu e a terra. Sobre esta verdadeira façanha da esgrima literária, revela pesquisa seriíssima conduzida pela sociedade exegética do bom porvir que são poucos, verdadeiros pontos escapados da reta, aqueles que param e saboreiam a revelação. A reta, por outro lado, contém aqueles que procuram logo pela desgraça, pela queda, pelo engodo e pela degradação. São aqueles que desejam ver a pobre eva tentada e o pobre adão prostrado. Não percebem, mas são fãs da serpente e da sua ardileza. O princípio da criação é preterido pela sordidez da danação. Que horror!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que dizer então da mais que onipresente era uma vez, porta de acesso das crianças ao universo do contar fabuloso? Não é do nosso intento ficar vomitando pesquisas o tempo todo, mas o irretocável levantamento histórico-subjetivo elaborado pela associação internacional cândido imaginoso, divulgada inclusive com o intuito de resgatar aquilo que há de tipicamente pueril nos primeiros anos da existência, indicou que o era uma vez, de fato, é passado. Curiosamente, as crianças sempre demonstraram interesse restrito ao presente e ao que ocorre às cinderelas e brancas de neve no momento atual. Se o príncipe beija ou não beija e se a bruxa má toma uma sova ou não toma. Quanto aos adultos, que neste caso são os que narram, o que importa são os efeitos secundários e terciários, tais como declínio na agitação, sono profundo e o despertar para os bons modos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, se esta é a regra da história universal das primeiras frases, o que há de luminoso e inspirador neste enredo de descaso? Se o leitor atento ainda não percebeu, a iluminação está justamente na descoberta de um mundo que se preocupa demasiadamente com conclusões e desfechos. Um mundo obcecado em acumular finais e que se descuida com os começos fica destapado para o nosso olhar. Por conseguinte, a emancipação das primeiras frases acaba sendo a emancipação da própria aventura elucubrativa. O resgate do original encetar, isto é o que a lógica mais refinada nos diz, é também o resgate pelo diferente concluir. Trilhemos pois, sempre que possível, caminhos novos. Desde o início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente reencontramos o nosso tão esperado narrador. Está na porta de casa segurando sua chave. Sua feição não é das melhores. Ainda está nervoso com o acidente de trânsito que não sofreu por pouco. Abre a porta, entra e senta-se em frente ao computador. Ao invés do movimento dos dedos percebe-se apenas o movimento frenético das pernas. Não encontrou o que procurava e tudo ficou em suspenso. Temos cá as nossas suspeitas de que o seu labirinto nunca foi tão envolvente. E há quem diga que tudo se resolve quando o ponto de fuga finalmente é traçado no horizonte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-8633847884805379807?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/8633847884805379807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=8633847884805379807&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/8633847884805379807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/8633847884805379807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/09/preciso-encontrar-primeira-frase-antes.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-1144200768895929280</id><published>2007-09-18T14:49:00.000-03:00</published><updated>2007-09-18T14:50:42.587-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Com a coleção de fotos familiares à mão, esboça as primeiras tentativas de elaborar um ensaio sobre a inconciliabilidade. Mas por que um ensaio? As razões são sempre misteriosas e a colossal ignorância deste narrador já é de amplo conhecimento. E não seria este narrador o mesmo personagem que reflete, contemplando os registros luminosos de sua estirpe, a respeito daquilo que é essencial ao incompatível? Esta pergunta é por demais bisbilhoteira. Quer mexer nas panelas que estão no fogo, vasculhar gavetas, revirar armários e, inclusive, ponto culminante de toda atividade diz-que-diz-que, atalaiar pelo buraco da fechadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diremos que quem narra, narra. Se avalia, interpreta e julga ao mesmo tempo, isto já é um problema de ordem metodológica, talvez epistemológica e, quem sabe, até mesmo oftalmológica. Aceitaremos esta última observação ponderando que nosso problema de visão é assaz agudo, ou ainda, agudamente severo, produzindo distorções ópticas que tornam o nosso descortinar único. Isto posto, também diremos que quem ensaia, ensaia. Neste caso, não desova intelectualmente um tratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que a cosmogonia destas embaralhadas linhas está parcialmente apresentada. A percepção obscurecida de um narrador nos traz notícias sobre aquele que contempla, esboça e ensaia, aquele que de alguma forma é ferido pelo que já não pode mais ser reconciliado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como certa vez a luz feriu o papel sensível, registrando cenas e personagens enquadrados, tal como cicatriz, uns com mais virtuosismo técnico, outros com mais sensibilidade artística e outros ainda sem a menor premeditação estética, aquilo que está apartado fere o nosso experimentador. Mortificação, portanto, é aquilo que está posto em nosso horizonte. É aquilo que chega até estas linhas derivando infindáveis gradações de castigo, desengano e chaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ninguém se atreva a pensar, no entanto, que estamos envoltos numa manta de prantos, afundados naquele vale de lágrimas e premeditando a apresentação poética do universo das lamentações. Não foi o experimentador encarar as fotografias? Fica registrado assim que aqui a ferida não se deparou com alguém pusilânime. Mesmo naufragado no abominável oceano das incertezas, o experimentador propôs a si mesmo uma tarefa cuja natureza deriva da ordem do desafio: enfrentar, sem fechar os olhos, sem desviar o olhar, os documentos visuais que atestam a severidade daquilo que é incompatível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia um menino de aproximadamente sete anos, sentado em uma cadeira, deixou que sua fotografia fosse feita. Ele olha para a objetiva e seus olhos claros falam de tristeza. O seu rosto é de uma beleza singular e o contorno dos seus lábios são particularmente graciosos. Veste uma daquelas blusas com gola que sobe ao pescoço. O seu cabelo é ondulado e ligeiramente desalinhado. Longe de atrapalhar a feição harmoniosa desta criança, apenas estimula a exclamação: que encanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mesmo dia o experimentador estava do outro lado do aparelho fotográfico. Teve paciência para esperar pelo consentimento. Aguardava ver um sorriso e congelar um testemunho de alegria. Já sabemos que o menino não sorri. Teria sido a falta de espontaneidade a maldosa artífice desta ausência? Observamos que o nosso experimentador não acredita nisto. Os pequenos olhos claros, que falam de tristeza, dizem algo que o menino efetivamente quer dizer. Está dito e é próprio às regras do universo fotográfico que aquele instante é incontornável. Está dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O experimentador sente o primeiro corte. Aquilo que não pode ser reconciliado já está dentro dele. Porque deseja fazer outras perguntas, imaginar outras possibilidades, propor outros convites e porque contempla algo que se recusa a aceitar todas estas investidas, sente-se penalizado. Guarde já esta fotografia, poderia aconselhar um espírito mais prático. Ela não deixará de existir, retrucaria o experimentador. Então jogue-a fora, queime-a. Não faria sentido, já foi vista e está na minha memória. O está dito já foi ouvido. Agora também sabemos que o nosso personagem é daqueles que briga com a realidade de forma crônica. Espírito definitivamente pouco prático, tem familiaridade com o mundo dos sonhos e das especulações.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-1144200768895929280?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/1144200768895929280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=1144200768895929280&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/1144200768895929280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/1144200768895929280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/09/com-coleo-de-fotos-familiares-mo-esboa.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-3136186001484207500</id><published>2007-09-14T14:21:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T14:25:43.416-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Desdita de merda. O mundo é ruína e o fado desta vida é eterna agonia. Isto é o que ela pensa. Talvez não pense com convicção. Sobre isto, como sobre várias outras coisas, não existe certeza possível. Como descobrir as últimas motivações que transformam sangue em palavra? Mas quando diz, diz discursando, catequese de escatologia, afirma e, refinamento de crueldade, ilustra com amplitude empírica a plausibilidade do argumento. Não chego a acreditar. De qualquer forma, adoro ouvir, cotejar as palavras com a expressão de seus olhos e sentir a ereção imediata anunciando uma sequência adorável de pensamentos desavergonhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não cogito a possibilidade de um pendor masoquista. Não faria sentido. Associo as palavras amargas às mãos habilidosas, aos seios generosos e ao jorro fecundo em seu rosto. Com os lábios agradecidos pela dádiva recebida, enaltece melancolicamente minha disposição para ouvi-la. Aqui está exposta a razão do meu descaso. Sincera ou simulada a sua desesperança rende prazerosas brincadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem leve todas as coisas a ferro e fogo. Muitos participam do banquete dando pronto testemunho, confirmando, harmonizando e estimulando o tipo de fraseado. Prefiro ouvir, imaginar e fabular novas possibilidades. Sei que seus olhos constantemente procuram pelos meus, ávidos por algum sinal de cumplicidade. Prestativo, sempre tenho um sorriso moderadamente escondido a ser trocado pela sua amargura e demais penduricalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo admitir que fui brindado pelo destino com uma privilegiada inserção profissional. Meu ganha-pão permite um contato diário com adolescentes limpas e de corpos bem-formados. Peitos, bundas e coxas compõem um arsenal de atrativos celestiais. Em graciosidade, perdem apenas para a obtusidade reflexiva. Como é bom dispensar a conversa furada e rumar com segurança para o festejo. Quem nunca teve o prazer de inaugurar buraquinhos intactos, já impuros e incastos, ainda não aproveitou a vida, não foi tocado pela profundidade da palavra divina. Não se trata de himenolatria, posto que sem um mínimo de ingenuidade não há pureza de matéria que resista. Aqui, o continente explorado pertence a outro quadrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, sempre que posso, opto por abdicar do convívio com a mocidade. Malícia alguma supera a sua zanga com o mundo. Irritada, abre os braços, reclama, esbraveja, atira as pernas para o ar e logo silencia. Quando retorna, sua voz traz outras mensagens, adota o tom de súplica, altera a face da agonia e atesta a intensidade da invasão. Languidamente, com as mãos trêmulas, repousa a cabeça suada em meu peito. O momento de reconciliação é breve. Demora pouco para recolocar o mundo sobre os ombros, flexionar os joelhos ao sentir o peso e, de quatro, rabear em minha frente, argumentando raivosa sobre a necessidade de avaliar a desdita sob variados pontos de vista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-3136186001484207500?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/3136186001484207500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=3136186001484207500&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/3136186001484207500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/3136186001484207500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/09/desdita-de-merda.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-1930752444949373979</id><published>2007-09-14T11:38:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T11:40:40.750-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Da boca a fumaça sai serpejante. Entrou sob os auspícios do desassossego, anunciando o alívio da aflição, ainda que este benefício, hoje em dia, graças aos descobrimentos fabulosos da ciência médica, seja percebido por qualquer um como inegável engodo. Foi-se o tempo em que o cigarro representava componente basilar para a figura charmosa do homem atormentado. Erradicado o mito, banida a quimera, erigida a verdade objetiva e rigorosa acerca dos males inerentes ao tabaquear, como pode um indivíduo perceber jactancioso o resultado da combustão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o problema que ora cobra a atenção deste pobre narrador, colocando-o em pose de circunspeção, desafiando-o a varrer do seu horizonte a já noticiada ignorância que ostenta em relação a variados temas. Desaparelhado intelectualmente, desarmado das finuras próprias ao colóquio acadêmico, sofrendo o mal típico da ausência de convicções, alimenta o enfraquecido juízo com pequenos fragmentos. Apartado da certeza, perambula aqui e ali coletando um ou outro ouvi dizer, assim entendo, desta forma aprendi e esta é a minha opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prolegômenos esboçados, à faina bruta. Se é tão rara a certeza, sendo mais raro ainda o seu amplo compartilhamento, pelo menos aquele obtido através de procedimentos consensuais, quem é o petulante, sim, o adjetivo correto é este mesmo, quem é o desavergonhado e insolente, agora temos mais dois sinônimos que contribuem apenas para aclarar o perfil do personagem central desta narrativa, mas como estava sendo dito, quem é o atrevido que ousa tomar em suas mãos um cigarro, posicioná-lo confortavelmente entre os dedos, levá-lo aos lábios, lambiscá-lo com a lascívia própria de um despudorado e acendê-lo acaloradamente? Atreve-se ainda a ressaltar o beiço, franzir as sobrancelhas, mobilizar as linhas expressivas da testa e promover ares de intelectual enquanto traga mais de quatro mil e setecentas substâncias tóxicas, informação zelosamente disponibilizada pela esfera governamental voltada para o trato da saúde. Se isto tudo não bastasse, por fim, expele e contempla a fumaça que se afasta bailando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sede de cognição sumária, antecipamos aqui o nosso agradecimento ao garboso léxico jurídico, tão lapidado nas oficinas do tempo e do sofrimento alheio, tem-se que o referido personagem, parcialmente qualificado no parágrafo anterior, é um professor universitário. É ele o acossado que procura um pouco de amparo em seu cigarro. É ele quem dá de ombros às descobertas da ciência médica e ousa dar crédito ao mais que combalido mito do alívio proporcionado pelo fumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes casos, a sabedoria familiar, codificada e interpretada por minha mãe, pessoa que se viu obrigada a conciliar a candura da função materna com a agressividade imperiosa daqueles que zelam pela estirpe, identifica logo a presença de um estróina. Como tal, o professor universitário merece o tratamento adequado para a lida com um doidivanas: desprezo e pena enquanto mantém-se distante, vara e fúria caso esboce qualquer tentativa de aproximação. É curioso notar a variável geográfica presente nesta espécie de terapêutica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que a correta aplicação da sabedoria familiar, por conta de alguns detalhes que acabam de nos ser fornecidos pela memória, esbarra em embaraços. O vício do cigarro foi companheiro assíduo do meu pai e dos meus tios, todos ainda vivos e gozando de impecável higidez. Neste caso, reluto em classificar como estróina o professor universitário, uma vez que tal procedimento implicaria em estender a mesma pecha a uma série de entes familiares. Caso alguém pretenda questionar a falta de objetividade deste procedimento, apresso-me em salientar que a narrativa é minha. Nela utilizo os esquemas de classificação que bem entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo a sabedoria familiar, neste caso circunscrito, dado com os burros n'água, obriga-nos a tarefa da narrativa a procurar novos rumos investigativos. Aproveitamos a oportunidade para vilipendiar, ainda que de forma breve e moderada, o tal do professor universitário. Teria ele consciência do trabalho árduo que nos impõe pelo simples fato de fumar um cigarro? Por que este parvo não foi ler um livro ou cuidar de forma adequada dos seus afazeres profissionais? Ou ainda, por que não foi dar uma caminhada contemplativa pelas ruas da cidade, passa-tempo muito mais discreto e refratário aos comentários alheios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito o desagravo, voltamos a atenção para uma série de boatos difundidos no círculo social do professor universitário. Talvez seja melhor dizer círculo profissional, e se não o disse é porque tenciono salientar que o dito círculo social limita-se ao profissional, uma forma despida de sentimentalismos para afirmar que, para além do trabalho, no caso deste personagem, nada mais há. Não obstante, em relação aos boatos, este tipo perigosíssimo de rumor, freqüentemente tomado como verdadeiro quando na verdade falso, há quem diga, ferrão no lugar da língua, que o professor, consciente da sua falta de prestígio, já sabe de sua futura e incontornável demissão. Diz-se, também, sorriso estampado no rosto, que o professor encontra-se sovado. Não será demitido. É a sua própria frouxidão que lhe impede de obrar em paz. Insinua-se, finalmente, que embrulhos matrimoniais, fracassos variados no seu enlace afetivo, têm extravasado o domínio privado, tornando pública e notória a sua falta de habilidade para separar o joio do trigo, aquilo que cabe e aquilo que não cabe a cezar, levando-o a misturar alhos com bugalhos, incompetência que não deve ignorar o amplo leque de punições pertinentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponderando sobre o tríplice fluxo de falações, resolvemos averiguar, pelos meios disponíveis e adequados, o perfil dos indivíduos que atestam a veracidade do exposto acima. Revelou-se, para espanto nacional, o amplo rol de frustrações mobilizando a atividade evocativa. Não devemos esquecer que aquele que acusa, ao qualificar o próximo, utiliza a escala da própria desgraça. Não se sabe se isto ocorre na maioria das vezes. Sabe-se apenas que ocorre. Isto posto, dos boatos, das bisbilhotices, saiu o professor universitário ileso. Pode ser que uma ou outra pedra encaixe adequadamente nos buracos do seu telhado. Mas se isto é válido para ele, também o é para muitos outros. Já é tempo de deixar de lado as estratégias que visam o atacado para acertar o varejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua a saga da intrigalhada do professor universitário que fuma. A sua conduta, tangenciando desrespeitosamente o bom senso, ergue interrogações de difícil desvendamento. E quem disse que as respostas são sempre possíveis? Do alto das luzes próprias à sabedoria, quem postularia causas válidas para efeitos percebidos, afinidades eletivas para juntar retalhos? Interessados nestas espinhosas tarefas seguramente existem. Libertos das correntes e foragidos da alegórica caverna ventilam suas grandiosas descobertas por todos os cantos. Obrigado a tatear pelas sombras, o responsável por esta singela narrativa continua o seu singelo trabalho de navegar pelo oceano das ilusões. Não deixar o barco fazer água talvez seja o suficiente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-1930752444949373979?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/1930752444949373979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=1930752444949373979&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/1930752444949373979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/1930752444949373979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/09/da-boca-fumaa-sai-serpejante.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-5920548959203185532</id><published>2007-02-27T16:53:00.000-03:00</published><updated>2007-02-27T17:01:48.942-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fibra Moral&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pegou um livro do Graça. Queria o instrumento afinado para compor a música com precisão. Pegou outro e depois outro. Leu durante horas. Ficou envergonhado. Sentiu-se incapaz. Lembrou-se da idade. Lembrou-se do corpo que já não é mais o mesmo. Lembrou-se da sensação de que o tempo é inclemente e de que mesmo assim as oportunidades são jogadas regularmente pela janela. Lembrou-se do aluguel e viu na porta da geladeira o espesso volume de contas cobrando um pouco de atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligou para a mãe fingindo interesse pela família. A mãe falou em saudade. Soube que todos os familiares estão ansiosos em vê-lo. O vazio foi preenchido. Sentiu-se confiante. Despediu-se e encerrou a ligação. Acendeu um cigarro e contemplou a rua enquadrada pela janela do apartamento. Sentiu uma ponta de culpa. A mãe fica triste sempre que descobre vestígios de cigarro por onde ele passa. Não tem mais dúvidas. Está pronto para escrever. Nada lhe faltará. A mãe cuidará do aluguel. Cuidará das contas e da culpa que tem lugar cativo em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refletiu durante muito tempo. Foi assim que a noite começou. Não escreveu. Indagou a web sobre o verdadeiro sentido de todas as coisas. Algo ainda maior do que o sentido da própria vida. Concluiu que um grande propósito estava cada vez mais claro. Queria visitar Paris e freqüentar uma boate de lésbicas e fazer amizades e dançar e sorrir e converter todas as lésbicas nativas à ortodoxia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não resta dúvida. A grande merda é ter sonhado um dia com a arte de salvar o mundo. O sonho morre. O apetite revolucionário mantém o seu potencial devastador. Sim! Reconduziria as lésbicas parisienses ao bom caminho com a sua verdade oprimida e heterossexual de terceiro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou conversar com a namorada sobre a sua recente descoberta. Ela ficou braba com a história das lésbicas. Achou tudo um grande absurdo. Depois sorriu e fez graça da brincadeira. Gostava de tê-lo ao seu lado quando estava espirituoso. Não era brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também levou o tema a um amigo. Foi receptivo. Tem um objetivo próximo. Quer namorar uma garota que aceite uma segunda. A segunda deve aceitar a primeira. Ambas devem estar abertas a terceiras e quartas. Acredita sinceramente que a fidelidade compulsória é a fogueira da inquisição moderna. Está momentaneamente sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos estavam aborrecidos. Paris permanecia distante. Fidelidade permanecia algo tido em alta conta. É nestas horas que grandes homens revelam a sua fibra moral. Saíram para curtir a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bar tem nome inspirado em filme da década de 1970. Tem gente que gosta. Tem gente que nem sabe do que se trata. A ignorância assusta. Tomam cerveja e conversam compulsivamente e brincam e abraçam os amigos e ouvem música e dançam e esperam o cansaço chegar. Uma cantora gringa é anunciada. Veio de New York. Minha nossa! Loira e com voz poderosa. O amigo logo fica extasiado. Uma vocalista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvem as músicas com um grande embaraço. É vergonhoso baixar as calças para os gringos pura e simplesmente porque os gringos são gringos. A loira é um tremendo porre e a noite ameaça acabar depressiva. Preparam-se para ir embora. A loira vai embora antes e o garçom coloca um som. Eis que uma seqüência de cinco ou seis músicas muda tudo. É difícil explicar o que aconteceu. Não fariam sentido se ouvidas em outro momento. Ouviram e ficaram surpresos e sorriram e cantaram muito alto e dançaram com estardalhaço e fizeram uma algazarra como se algo estivesse sendo liberado depois de contido por muito tempo. Talvez tenha sido a cumplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deve ter durado mais do que trinta minutos. Pode parecer pouco. O suficiente para deixar a sensação de que não se está sozinho. Pequenos encontros que dispensam palavras. Dispensam explicações. Dispensam o planejamento e zombam da previsibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltam para casa com o sol brilhando alto. Ele sabe que Paris virá logo e que as lésbicas serão penetradas sucessivas e incontáveis vezes. O amigo sabe que a era da fidelidade chegará ao fim e que a comunhão amorosa será aclamada. Conhecem a arte de sublimar o sonho e conhecem a arte de reduzir ao máximo todas as expectativas. Não há decepção institucionalizada que os alcance.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-5920548959203185532?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/5920548959203185532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=5920548959203185532&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/5920548959203185532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/5920548959203185532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2007/02/fibra-moral-pegou-um-livro-do-graa.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-116583602225885116</id><published>2006-12-11T09:11:00.000-02:00</published><updated>2006-12-11T18:42:10.693-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Há quem cobre para restituir especificamente a si. Há outros que cobram para restituir uma causa mais ampla, menos individualizada, com tendência ao coletivo e informada pela noção abstrata de justiça. Em qual dos casos devemos encaixar o nosso personagem é um mistério. Sibilinamente poderíamos afirmar que não há causa tão individual a ponto de não conter pelo menos uma nesga de demanda coletiva, assim como nas causas coletivas sempre podemos encontrar sementes de individualismo. Não cometeremos tal ato de logro. Admitimos que o nosso conhecimento sobre o caso nos impede de especular sobre o universo das motivações. De qualquer maneira, seja qual for o intuito gerativo, lá está o personagem a vislumbrar uma dívida, a desenhar meios de arrecadação, a transfigurar sangue em gratificação, a arquitetar, enfim, sua vindita.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Chegando a narrativa a este ponto crítico, no qual a embaraçosa ignorância do narrador opõe obstáculos intransponíveis ao julgamento de elementos relevantes à constituição dos fatos dramáticos aqui expostos, faz-se necessário retornar ao questionamento dos fragmentos materiais que nos servem de âncora empírica.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Comecemos pelos relatos produzidos por uma comissão &lt;em&gt;ad hoc&lt;/em&gt; e que versam sobre o intrigante fenômeno da dor lombar. A senhora responsável pela limpeza semanal do apartamento em que reside o professor universitário é a primeira integrante da comissão. Possuidora de um vasto repertório de considerações sobre as origens das agonias físicas, sua relação com o humor dos entes que compõem a natureza e sua possível cura através de benzeduras específicas, identificou um problema de espinhela caída. Para este mal, zelosa que é do conforto do patrão, propôs o seguinte rezado: &lt;em&gt;Na casa em que Deus nasceu / Todo mundo resplandeceu / Na hora em que Deus foi dado / Todo mundo iluminado / Seja em nome do Senhor / Esse teu mal curado / Espinhela caída e ventre derrubado / Eu te ergo, curo e saro / Fica-te, espinhela, em pé! / Santana, Santa Maria, em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo&lt;/em&gt;. Após três sessões com este rezado, lamentando o aspecto recalcitrante do caimento, colocou o professor em pé, posicionando-o de costas em relação à saudável coluna de quem trabalha na lida ortopédica da limpeza diária, entrelaçou os seus braços e, executando um movimento preciso, marcado pela convicção, fez uma pequena inclinação, suspendendo o professor enquanto soprava o rezado. O resultado, longe de por em questão a eficácia de tão meticuloso tratamento, revelou a extremada falta de fé do professor universitário. Homem fechado aos sinais generosos da transcendência, urrou bestialmente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A mãe, com o afeto que alguns julgam instintivo, enquanto outros não encontram mais do que produto cultural, localizável geograficamente e datável historicamente, percebeu o famigerado problema da coluna travada. Com lágrimas nos olhos, atribuiu a dor e o sofrimento do filho à nora, pessoa que classifica como biscateira, rameira, marafona... vamos devagar com as palavras, pois a mãe ama o filho e encontra dificuldades para refrear o ímpeto verbal... uma maria madalena, enfim, mulher que merecia não apenas a primeira mas todas as outras pedras, vindas de todos os tipos de pecadores. É o seu peso morto que trava a coluna do filho. O remédio consiste em dar-lhe um pé no traseiro. É por isso que instiga o filho a vituperar a sócia no tubo de dentifrício, sócia que, diga-se de passagem, é daquelas que aperta o tubo de maneira inadequada, gerando um desperdício sem par, afinal não é ela quem paga a conta, não é o seu bolso que dói quando o cobre desaparece, e, desaforo maior, deixa o referido tubo aberto sobre o móvel do banheiro. O resultado da estratégia materna está para ser visto, embora já saibamos que o professor universitário é da ordem dos bananões, um tipo de homem muito mais abundante do que se imagina, absolutamente incapaz de mover aquela palha sem receber o consentimento expresso da mulher.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A mulher, dona de um carinho que lhe é próprio, difícil de ser detalhado com as palavras que dispomos no momento, acredita que o marido sofre de dor na cintura. Com os subsídios fornecidos pela leitura de variadas revistas femininas, ela lamenta a extensão do círculo abdominal do companheiro. Propõe que barriga tão avantajada é o reflexo necessário de uma atitude profissional que põe o trabalho sempre em primeiro lugar, relegando ao sombrio segundo plano todas as outras coisas, inclusive o seu amor carnal de esposa, ilustrado por pernas, braços e outras partes corporais que se encontram sempre abertas, mas cuja receptividade é duvidosa. Lamenta que o marido trabalhe tanto e ainda assim ganhe tão mal. Lamenta mais ainda o fato de que compareça com freqüência tão escassa, duração tão contida e repetição inexistente ao ato amoroso. Pensando bem, e isto quem o faz, ocasionalmente, é ela, agradecer é melhor do que lamentar. Um caso de fracasso crônico como este não tem cura. O certo mesmo é que não há merecimento para haver cura. Para tão virtuosa alma, o tempo irá resolver tudo, é só uma questão de paciência, no momento oportuno a dor do abandono transformará em suave carícia a sua infernal antecessora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Reunida a comissão ad hoc, por motivos incertos e ao mesmo tempo suficientes para exigir a presença combinada das três personagens femininas desta narrativa, nada ficou resolvido, seja em relação ao diagnóstico, seja em relação à terapia. Desnecessário dizer que, tanto no caso da mãe como no caso da esposa, o discurso desejado foi substituído por outro velado, repleto de circunlóquios elogiosos, rodeios atenuantes e arremates inconclusivos. O ponto de vista da mulher da limpeza, por sua vez, como não podia deixar de ser, foi exposto com cautela para agradar gregos e troianos, objetivo atingido não para revelar a verdade sobre o fato, mas apenas para preservar o ganha-pão, conduta desenvolvida e aperfeiçoada com perícia por quem ocupa os andares inferiores do nosso charmoso edifício social.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Segue portanto o nosso professor universitário com uma dor escorchante. Quem sabe um médico não seria conveniente em situação como esta. Seria, caso os dois últimos consultados não tivessem ministrado procedimentos terapêuticos dispendiosos e de resultado duvidoso. Um colega de trabalho já recomendou terapias alternativas, ao que o nosso personagem respondeu com um sonoro vá à merda, prova cabal de que a dor é persistente e de que os seus reflexos deitam influência sobre esferas que extrapolam a região circunscrita do lombo, prova também de que estamos lidando com um indivíduo que possui vocabulário bastante frouxo, sendo capaz de vituperar um amigo próximo que lhe estende a mão em momento de desespero. Diga-se de passagem, a perda da razão nos serve de prova para qualquer coisa, poderíamos dizer inclusive que o nosso personagem teme ter a própria sexualidade questionada ao ser deparado com a possibilidade de experimentar terapias alternativas, ninguém mandou perder a cabeça e abrir a boca sem o mínimo de reflexão que se espera das pessoas sensatas&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-116583602225885116?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/116583602225885116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=116583602225885116&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116583602225885116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116583602225885116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2006/12/h-quem-cobre-para-restituir.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-116525893768068179</id><published>2006-12-04T16:57:00.000-02:00</published><updated>2006-12-04T17:02:17.693-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Da fúria, o que sabemos de certo, conhecimento que confessamos ter adquirido em função do respeito que prestamos à sabedoria popular, é que onde há fumaça há fogo. Dito de maneira ainda mais simplificada, havendo uma omelete haverá pelo menos um ovo partido. Isto posto, havendo fúria, haverá uma contração involuntária e irrefreável da musculatura que molda o maxilar. Haverá também um balançar frenético de pernas, um batuque de ritmo caótico produzido pelas solas dos sapatos. Haverá, finalmente, para concluir o problema e chegar ao pináculo do episódio aqui tratado, um pensamento fixo: alguém tem que pagar a conta, alguém que não sou eu. Isto é o que pensa o personagem. Desforrar-se é o que ele quer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em oposição aos alimentos que demandam aquecimento e manutenção da temperatura, comenta-se consensualmente que a vingança deve ser saboreada a temperaturas mais baixas. O nosso professor universitário é defensor deste ponto de vista. Sua atividade reflexiva, talvez uma mera adaptação comportamental produzida em função do próprio trabalho, reza que a construção de uma estratégia, a elaboração de uma tática, atividades que privilegiam o ardil e a astúcia, guardam a finura própria às grandes obras do intelecto. Da fúria ele quer apenas a emulação. Da vingança ele deriva um rumo. No centro de ambas ele posiciona toda a sua energia criativa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ódio do mundo, diria um observador precipitado. Recalque profundo, diria outro mais atento aos tormentos e patologias individuais. Resposta esperada às pressões que recebe do meio, diria um terceiro com inclinações notadamente sociológicas. Biblicamente, optamos por deixar de lado o julgamento. Em termos políticos, através das lições que nossos homens públicos nos aplicam diariamente com os seus palanfrórios, decidimos guardar nossas opiniões. Constatamos apenas, da maneira mais objetiva que uma narrativa como esta nos é capaz de permitir, que o nosso professor universitário, furioso que está, fúria talvez agravada pelo lombo molestado, sentado em frente ao computador, lendo especificamente uma mensagem eletrônica a ele enviada pelo seu superior hierárquico, trama um acerto de contas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foi-se o tempo em que as pendências entre os indivíduos eram solucionadas pela observação da doutrina cristã. Tolerância é uma virtude esquecida. Perdão é um compromisso que se tornou um fardo pesado. Hoje em dia, isto é o que o simples exercício dos sentidos nos demonstra, prevalece mesmo a lei do cão. Já adiantamos a nossa contrariedade em atribuir a este animal uma tão condenável formulação jurídica, principalmente por se tratar de edificação humana. Melhor seria dizer que, desta lei, o mandamento supremo, o preceito que sobressai, nos manda ferir com ferro aqueles que com ferro nos feriram. Ao ponderar sobre este tema, alguns historiadores nos remetem ao universalmente conhecido rei persa, dono de curiosa predileção por olhos e dentes. Analistas mais pessimistas, contudo, nos orientam a ignorar os detalhes oferecidos pelos cronistas do tempo e a lamentar pela própria natureza humana, impura, sórdida e maculada. Ignorantes que somos destes debates, altercações nas quais julgamos ser prudente entrar calado e sair mudo, ostentando a sábia postura de humildade dos bovinos, proporemos tão somente que, ao tramar um acerto de contas, o nosso professor universitário coloca-se na posição de cobrador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-116525893768068179?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/116525893768068179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=116525893768068179&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116525893768068179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116525893768068179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2006/12/da-fria-o-que-sabemos-de-certo.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-116421629086496119</id><published>2006-11-22T15:16:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T11:41:45.306-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;abunda ânsia verbal&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fúria, ainda que combinada com outros sentimentos, todos de natureza menos agressiva, representa o traço predominante no olhar do nosso personagem. Por ser o que é, inspiração colérica, intento raivoso, e por estar refletida naquilo que aprendemos a chamar, de maneira imprecisa, posto que repetida mecanicamente, a esmo, janela da alma, revela a disposição belicosa da figura dramática que passamos a descrever.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sentado em frente à tela do computador, acompanhado por uma aflição aguda, produzida pela inatividade muscular, dito sedentarismo, da parte inferior do dorso, região corporal também conhecida como lombo, lê as mensagens contidas no correio eletrônico. Como azorrague, a leitura flagela não apenas o já dolorido e supracitado lombo. Castiga aquilo que classificaremos como totalidade existencial do indivíduo. Entendendo a totalidade como uma somatória de partes variadas, numerosas a ponto de evocarem o infinito, e entendendo o existencial como sinônimo de vida, localizaremos o castigo, já reconhecendo a nossa falta de precisão, na esfera do difuso estar em meio à realidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se o ato de atribuir sentido à combinação de palavras contidas numa mensagem é penoso, então uma questão, em meio a diversas outras que poderiam ser indicadas, e só não o serão por falta de disposição do responsável pela narrativa, mas dizíamos, uma questão, desdobrável em outras três, tal como os simpáticos brinquedos modulares para desenvolver a perspicácia infantil, passa a exigir raciocínio mais detido: será o nosso protagonista um indivíduo de constituição assaz melindrosa; será o conteúdo da mensagem, ou das mensagens, um atoleiro de tormentas; ou será inadequado o meio utilizado para levar tal conteúdo ao seu destino?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como não julgamos possuir o fio de ariadne, como não dispomos da mesma inventividade do pequeno joão, irmão da pequena maria, como não temos o brilhante raciocínio hipotético e dedutivo do frei guilherme, permaneceremos em meio ao relambório, desfrutando dos benefícios proporcionados pela dúvida, e rogaremos a deus que zele por nós, nos conduzindo, tão logo seja possível, ao iluminado caminho da convicção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Questionando as informações disponíveis, sob inspiração direta de todos os holmes e poirots até hoje registrados pela história das investigações fantásticas, foi possível verificar que quem senta em frente ao computador é um professor universitário. A dor lombar, uma companheira de longa data, tão longa que não vem ao caso procurar a origem, tarefa que seguramente nos desviaria do rumo necessário ao bom encaminhamento desta narrativa, piora sempre que a atividade profissional lhe exige extensas horas de assentamento. Quanto às mensagens, sua temática é variada e a relevância para o presente relato é desigual. Sabemos, contudo, que uma delas foi-lhe enviada pelo seu superior hierárquico, uma espécie de cacique do mundo acadêmico, um homem que é professor e que não tem alunos, um profissional da educação que não conhece mais do que pequenos xurumbambos retóricos a respeito da labuta pedagógica... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-116421629086496119?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/116421629086496119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=116421629086496119&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116421629086496119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116421629086496119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2006/11/abunda-nsia-verbalfria-ainda-que.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-116369672707741047</id><published>2006-11-16T15:04:00.000-02:00</published><updated>2006-11-17T10:00:21.536-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Minha mãe reza. Agora está no quarto ao lado com os seus livros de louvor. Meu pai observa o mundo e acumula respostas. Agora está numa sala distante com os seus jornais e revistas. Os dois sofrem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gosto de observar as coisas como o meu pai. Diferente dele, não consigo fazer o meu depósito de verdades. Já tentei acreditar como a minha mãe. Acredito que a fé na possibilidade de aceitar a figura de alguém nos protegendo já foi descartada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe é doce. Meu pai é seguro. Os dois combinam e representam um mundo que não consegue mais se reproduzir. Sua generosidade exige um tipo de sacrifício pessoal que é raro hoje em dia alguém aceitar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em momentos de distração sou surpreendido pela culpa. Não consigo oferecer o mesmo para o meu filho. Minha generosidade é de outra natureza. É preciso ter habilidade para lidar com este tipo de situação. Recebi algo que não será passado adiante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mundo dos meus pais morre em mim. Sou meu paralelo. Estou em fuga para forjar algo novo com a minha própria vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-116369672707741047?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/116369672707741047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=116369672707741047&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116369672707741047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116369672707741047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2006/11/minha-me-reza.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-116161307696413792</id><published>2006-10-23T11:16:00.000-03:00</published><updated>2007-11-25T23:49:33.670-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Perdi meu filho. Fugi de um fantasma. Procurava respirar. Eis que minha carne foi rasgada. Quase descobri quem eu sou. O desespero estimula o pensamento. Encontrei um indivíduo encoberto por mil disfarces. São os discursos míticos que redefinem a nossa trajetória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a quebrar o espelho que tenho em minha casa. Foi difícil aceitar a idéia de fixar os olhos naqueles olhos. Acerto de contas. Evito outros espelhos. Faço isto pelo menos por enquanto. Mas carrego na memória aquele olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permaneço com a carne rasgada. Não quero que lambam minha ferida. Também não quero louvores à pedagogia da dor. Minha mãe, Jó e a história das flechas envenenadas. Não comove e não dá esperança. Traz a culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou meu paralelo. Sei que preciso de ajuda. É difícil resistir à tentação. O drama é combustível farto para novas fabulações. Esconjuro a oficina que fabrica passados, traça vias-sacras, crucifica e celebra ressurreições. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-116161307696413792?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/116161307696413792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=116161307696413792&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116161307696413792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116161307696413792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2006/10/perdi-meu-filho.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-116111318022690494</id><published>2006-10-17T16:19:00.000-03:00</published><updated>2006-10-23T11:20:19.076-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parte da nossa geração foi adestrada para se contentar com pouco. A vida simples de que falam não é uma escolha plena. É apenas algo provável num horizonte que prima pela falta de possibilidades. Descobrimos a arte de diminuir nossas expectativas. Arte? Um exercício que aparenta preservar aquilo que nos resta de dignidade? Entre o delírio do pendor pelo combate e o fatalismo depressivo está a resignação. Um refúgio para o ideal de sinceridade. Sou meu paralelo. Estou em fuga para contestar aquilo que percebo como inquestionável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-116111318022690494?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/116111318022690494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=116111318022690494&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116111318022690494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116111318022690494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2006/10/parte-da-nossa-gerao-foi-adestrada.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-116058720381526429</id><published>2006-10-11T14:18:00.000-03:00</published><updated>2006-10-23T11:20:44.810-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desapontado, a tentação é grande, começo a procura por explicações. A busca pelas causas e o seu feitiço. Mergulho no passado como se a profundidade fosse capaz de revelar as âncoras da superfície. Nessas horas a razão prega peças. Ao contrário do que dizem, ela não falha. É precisa. E é por isso que convida tantos a rogarem pelo sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Racionalmente encontro culpas ligadas ao meu passado. Fico convencido dos meus crimes. Acato a fatalidade da condenação e da pena. Lembro da escola e das tarefas de casa. Não as que foram mal feitas. As que ficaram por fazer. O olhar que reprova fala em omissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a razão condena, pelos mesmos caminhos absolve. É oportunista. Compara o pecado e a penitência. Questiona a ausência de proporcionalidade. Faz um convite à luta por justiça. Novamente o perigo de remoer o desgosto. Ele não se perde no labirinto da lógica. É preservado. Que venha logo o sono.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-116058720381526429?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/116058720381526429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=116058720381526429&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116058720381526429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116058720381526429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2006/10/desapontado-tentao-grande-comeo.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-116016010154517709</id><published>2006-10-06T15:39:00.000-03:00</published><updated>2006-10-06T15:41:41.556-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dia está para começar. Antes de acordar sonho com um abraço e um pedido de perdão. Minha respiração é interrompida. Então acordo apavorado. Não sei se espero reconciliação. Certas despedidas precisam ser definitivas. Essa necessidade desconhece os nossos anseios, conscientes ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que o dia começa. Levanto e carrego comigo o sabor amargo de algo que deveria ter ficado pra trás. Mas não ficou. É o apego por remoer o desgosto. Encontrar sentido no dissabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando percebo que a imaginação foi colonizada, evoco o tumulto das tarefas diárias. Crio a ilusão de que muitas coisas devem ser feitas. Desarticuladas, não são tantas. Somadas, o resultado não esboça uma obra. Reflexo de quem se habituou a fatigar o corpo e a cabeça para evitar fantasmas. Dizem que sabedoria é isso. Não sei se existe sabedoria. Se ela existe, não deve ser apenas fuga da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia passa. Alguém me diz que não planejo o futuro. Não demonstro interesse em idear possibilidades. Sei que é verdade. Fico repetindo que preciso de tempo. Talvez sobre tempo. Talvez tenha desaprendido a usar o tempo que tenho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-116016010154517709?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/116016010154517709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=116016010154517709&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116016010154517709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116016010154517709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2006/10/o-dia-est-para-comear.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35565127.post-116007638324959345</id><published>2006-10-05T16:13:00.000-03:00</published><updated>2006-10-05T16:33:19.936-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;A virtude de uma correspondência&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta é uma simulação de calma, uma imitação de tranqüilidade. Visto a fantasia como se acreditasse. Escondo meu rosto de mim mesmo, não dos outros. Acreditar, não acredito. Sei que tudo não passa de desespero. A questão permanece.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vontade de jogar tudo pro alto. Quando tudo cair, que caia. Não quero ficar por perto. Meu desejo é distância. Nem a cama, aquilo que se faz na cama, traz sossego. O corpo anda doído. Já acordo entregando os pontos. Não vejo a hora do jogo terminar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Podia pensar em mudar o jogo. Mas nem quero. Quando terminar, aí sim vou ter tempo. Preciso de tempo para acertar as contas. Primeiro comigo. O mundo vem depois.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais uma ilusão que me seduziu. A praga é você pensar com idéias que acreditava antes e agora não acredita mais. Tenho consciência - sei que não vou acreditar nisto depois. Não acho que tem algo errado comigo. É como disse, acabei seduzido. Foi fácil. Não tenho mais fôlego pra brigar. Como estou, acabei. Preciso começar comigo. Sou meu paralelo. Escapei para ajudar. É desumano deixar alguém sozinho com a dor da resignação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35565127-116007638324959345?l=meusparalelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusparalelos.blogspot.com/feeds/116007638324959345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35565127&amp;postID=116007638324959345&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116007638324959345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35565127/posts/default/116007638324959345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusparalelos.blogspot.com/2006/10/virtude-de-uma-correspondncia-resposta.html' title=''/><author><name>PaRaLeLoS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13780638974457559783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
